Cultura

Onde está a felicidade?

Da redação da Menu

Este é o nome do filme estrelado pela atriz Bruna Lombardi, que interpreta uma chef de cozinha em crise no casamento e decide percorrer o Caminho de Santiago, na Espanha, para “se encontrar”. O longa, dirigido pelo marido Carlos Alberto Riccelli, entrou em cartaz neste mês e Bruna conta sua afeição pela cozinha durante entrevista concedida à editora-assistente Luciana Mastrorosa, publicada na Menu de agosto. Confira a íntegra da conversa com exclusividade para o blog.

Como foi a experiência de viver uma chef de cozinha no filme Onde está a felicidade?

Foi uma delícia! Primeiro porque tive de fazer aulas de cozinha, aprendi inúmeras receitas e a cortar tudo com rapidez, do jeito que os chefs fazem, algo que sempre achei lindo. Como gosto muito de cozinhar para os amigos, foi um processo muito enriquecedor.

Você costuma receber bastante gente em casa para festas e almoços?

Sim, sempre. Tanto aqui no Brasil quanto nos Estados Unidos [a atriz divide-se entre suas casas em São Paulo e na Califórnia], eu adoro convidar as pessoas e ir preparando tudo junto. Para mim, fazer a comida também é um ritual, não só comer. Quando os convidados ajudam, tudo fica mais leve, todo mundo participa da criação dos pratos, o que tira aquela coisa rígida de formalidade. A gente toma uma taça de vinho, vai papeando… Recebo no máximo 8 pessoas, mas o ideal é 6. Em casa, temos muito o hábito de preparar nossa comida.

Em casa, quem cozinha: você ou o marido?

Os dois. Eu e o Riccelli adoramos cozinhar, mas cada um faz uma coisa diferente. Gosto muito de frutos do mar, mas ele é o rei das massas, adora um molho de tomate superapurado. Eu já sou mais ligada em fazer molho, ele é superinventivo, sempre traz alguma novidade. Usamos produtos orgânicos, porque têm um sabor melhor. O essencial é a qualidade do ingrediente. Como minha personagem no filme, também adoro ir ao mercado. Acho que todo mundo que gosta de comer, gosta de comprar comida. Não é sempre que tenho tempo de ir ao Mercado Municipal, em São Paulo, que é lindo e vale o passeio, mas eu adoro.

Na cozinha da sua personagem Teodora não faltam comidas afrodisíacas. E na sua, o que não pode faltar?

Tem certos ingredientes de que eu gosto muito e uso sempre, embora saiba que algumas pessoas não gostam, como alho, coentro, gengibre. Acho que a base da boa comida é a simplicidade, não gosto de coisas complicadas. Gosto de experimentar, fazer misturas interessantes de sabores. Acrescentar, por exemplo, nozes ou pinoles a uma massa já dá um resultado diferente. Se você tem o dom do improviso, consegue fazer uma comida boa com o que tiver à mão. Gosto de misturar vários tipos de cogumelos e refogá-los com alho e salsinha, uma gotinha de shoyu, e pimenta. Aliás, eu adoro pimenta, principalmente a dedo-de-moça! Minha comida é toda apimentada. Tem uma receita que adoro e é muito simples, é só cozinhar o macarrão cabelo-de-anjo bem rapidinho e fazer um refogadinho com alho, óleo, pimenta vermelha, tomate-cereja cortado ao meio e alguma erva. Depois de cozido, jogo o macarrão nessa frigideira e dou uma fritada leve. Aí uso isso como base para qualquer prato: pode acrescentar gengibre, shiitake…

Pelo visto, sua cozinha é bastante equipada.

Bastante. A gente brinca que nossas cozinhas têm um quê de laboratório. Sempre tem muita fruta em casa, então preparamos geleia de amora, de caqui… Temos até um desidratador de alimentos, para não perder nada. Banana desidratada fica uma delícia! O ato de comer é muito prazeroso para nós.

No filme, sua personagem percorre o caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, e prova comidas e vinhos típicos da região. Provou muitos pratos interessantes durante as filmagens?

Todo dia! Além de ter a comida espanhola deliciosa do catering, tinha sempre muito vinho, e a comida local era maravilhosa. Depois que a gente terminava a filmagem, ia aos lugares provar os pratos. Foi uma experiência e tanto porque, além de eu ser chef no filme, a comida foi uma revelação para mim. Durante as filmagens, percebi que fazer a peregrinação pelo Caminho de Santiago é duro, é uma missão. Mas notei que todos os peregrinos esperavam loucamente a hora da comida e do vinho, era o ponto alto do dia de todos eles. Porque às vezes eles estavam em locais onde mal conseguiam tomar banho, mas sentar para comer e beber junto era sempre uma grande festa, um momento muito esperado. Por tudo isso eu imagino que este seja um filme que deixa as pessoas felizes, que tenta transmitir essa sensação.

Em geral, quando viaja, gosta de experimentar coisas novas?

Sim, eu sou a rainha de experimentar comidas diferentes. O Ricceli sempre fala que eu sou arrojada, inventiva. Tenho milhões de comidas inesquecíveis, mas em geral posso dizer que gosto muito da comida asiática, como a tailandesa.

Você se divide entre a Califórnia e o Brasil. Costuma levar ingredientes brasileiros para lá?

Acho que a Califórnia é o lugar em que você come melhor nos Estados Unidos, tem restaurantes de todas as especialidades do planeta. É o lugar mais cosmopolita que conheci em termos de comida e variedade. A gente adora a raw food, pratos de comida crua, uma delícia. Lá a gente encontra de tudo, mesmo os ingredientes brasileiros. Quando a gente sente falta da comidinha brasileira, dá para preparar alguma coisa. Minha mãe que costumava reclamar “neste lugar não tem empadinha?”.

Mesmo gostando de cozinhar, costuma frequentar restaurantes quando está no Brasil?

Tenho ido muito ao Shimo, e gosto muito também do La Mar. Pizza é meu ponto fraco! Vamos muito ao Primo Basílico, que adoro.

E com tantas inspirações, o que não pode faltar na sua geladeira?

Luz, porque ela vive cheia! Se faltar luz, não consigo encontrar as coisas lá dentro.