Bebida

Como nasce um blend… de cachaça

por Luciana Mastrorosa

Já virou tradição: todo ano, desde 2007, a Cachaça da Tulha lança uma versão especial de sua bebida. Desta vez, o restaurante paulistano Mocotó serviu de palco para a definição do blend da Edição Única 2011 da marca, que será lançado hoje no bar Ilha das Flores. O diferencial deste ano é que, a convite da Tulha, o chef Rodrigo Oliveira, do Mocotó, e seu mestre-cachaceiro Leandro Batista uniram seus paladares afiados aos da barista Isabela Raposeiras, do Coffee Lab, e da chef Helena Rizzo, do Maní, para definir qual seria a bebida deste ano.

Tarefa difícil, mas não menos divertida: foram várias as “branquinhas” e “amarelinhas” degustadas até chegar ao blend especial. O time de especialistas tinha à disposição cachaças da Tulha armazenadas em carvalho americano e europeu, jequitibá, bálsamo e amburana, que conferem diferentes aromas à bebida. “A matéria-prima é a mesma, a diferença entre elas é o tipo de madeira pelo qual passaram. A ideia é ressaltar a brasileira amburana, suavizando-a com outras quatro madeiras”, conta Erwin Weimann, químico e mestre-cervejeiro. Foi ele quem criou a primeira “fórmula” que o júri provou na noite, com 30% de cachaça envelhecida na amburana, 30% no carvalho americano, 20% no jequitibá, 10% no bálsamo e 10% no carvalho europeu. “Blend de cachaça ainda é algo muito novo no Brasil, o único país que pode fazer isso com toda a propriedade”, lembra Weimann. O especialista aposta que misturas desse tipo virem tendência à medida que começarmos a explorar melhor nossas madeiras nativas, sem ficarmos tão presos ao tradicional carvalho.

A partir desse primeiro blend, o time de convidados começou a sugerir alterações nas porcentagens das bebidas utilizadas. Um pouquinho mais de bálsamo aqui, um pouco menos de carvalho americano dali… E, sete blends mais tarde (e muitos goles de cachaça depois), finalmente chega-se a um veredicto: a edição 2011 é composta de 30% de cachaça envelhecida no bálsamo, 40% na amburana e 30% no carvalho europeu. “Ao longo da degustação, ficou claro que a amburana se afirmou como base”, opina Rodrigo Oliveira. A barista Isabela Raposeiras, acostumada a lidar com café, surpreendeu-se com o potencial aromático das madeiras. “A amburana tem muita personalidade, lembra aquele cheiro de armário antigo, de madeira maciça”, comentou ela. Helena Rizzo, por sua vez, encantou-se pelo bálsamo, e seu voto foi definitivo para chegar ao blend final. “Gostei do perfume dela”, conta a chef. O mestre-cachaceiro Leandro Batista também apostou na preferida de Helena. “Bálsamo e amburana são bem potentes. Como o bálsamo é um pouco mais amargo, ele ajuda a equilibrar a bebida”, explica ele.

Além do blend composto pelos especialistas, a Edição 2011 apresentará um rótulo diferente dos tradicionais, feito com pedaços recortados de uma grande tela pintada pelo artista plástico Juarez Fagundes. As cachaças, numeradas, serão comercializadas com o preço sugerido de R$ 90.

Mais informações: www.datulha.com.br