Bebida

Os vinhos, segundo Adão

Por Suzana Barelli
Todo início de janeiro, o consultor Adão Morellatto divulga sua análise sobre o mercado de vinhos importados no Brasil no ano anterior. É um balanço bem interessante, baseado em dados que ele coleta ao longo de todo o ano, em fontes como o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e do Banco Central, entre outras.

O balanço de 2011 chegou com alguns dados que merecem destaque. O primeiro é que o mercado de vinhos importados no Brasil cresceu 16,54% no ano passado, em valor.  Em volume, este aumento foi bem menor: de 1,82%. A comparação entre estes dois índices (valor, em dólar, e volume, em garrafas), indica que os consumidores estão migrando para vinhos de maior qualidade. “É um avanço qualitativo e não quantitativo”, escreve o especialista.

A importação de vinhos cresceu 16,5% em valor em 2011

O segundo ponto é que a Argentina continua na vice-liderança no ranking da importação brasileira de vinho. Mas os nossos vizinhos estão mudando o perfil de suas vendas externas: hoje, seus vinhos estão, em média, 10,3% mais caros do que o líder Chile e, cada vez mais, os rótulos argentinos genéricos perdem espaço para os brancos e tintos de maior qualidade e preço.

O terceiro é o crescimento da importação de vinhos espanhóis. O país é o sexto no nosso ranking de importados, com a participação, pequena, de 4,75% em valor (ou 3,39% em volume). Mas, em comparação com 2010, a importação desses rótulos teve um crescimento de 32,12%. E, em média, seus vinhos são 83% mais caros do que os italianos, que ocupam a quinta posição.

No ranking de Adão Morellatto destaca-se ainda:

  • O Chile mantém a liderança pelo décimo ano consecutivo neste ranking. Em 2011 as vendas do país para o Brasil cresceram 16,30%, fechando o ano com uma participação de 29%, em valor, e 35%, em volume.
  • A Argentina está no segundo lugar, com crescimento de 12% em relação a 2010. Sua participação é de 21% em valor e de 23% em volume.
  • Em terceiro lugar, a França tem essa posição de destaque mais pelos seus champanhes e demais espumantes (as borbulhas representam 41% das exportações de vinhos franceses para o Brasil). Ao todo, as vendas francesas para cá cresceram 19,75% em 2011, em comparação com 2010. O país fica com 14,67% de participação em valor e 5,76% em volume.
  • As importações de vinhos italianos cresceram 21% em 2011, deixando o país em quarto lugar neste ranking. Os vinhos tipo lambrusco, bem baratos e de qualidade duvidosa, ainda predominam, com quase 50% deste total. As importações da Itália têm uma participação de 13,81% em valor e 17,28% em volume.
  • Portugal está em quinto lugar, com crescimento de 19% em 2011. O país participa com 12% em valor e 11% em volume.