Bebida

Vinícola Salton fala sobre a salvaguarda

Por Suzana Barelli

Daniel Salton explica porque não apóia mais a salvaguarda do vinho

O processo de salvaguarda para o vinho brasileiro foi montado a partir de informações de seis vinícolas gaúchas. Uma delas foi a centenária Salton. Uma semana após a abertura do processo, a Salton informou, em nota oficial, que não apoiaria mais a causa. Hoje, Daniel Salton, presidente da vinícola, explicou as razões de a empresa ter se retirado do processo. “A salvaguarda viria para proteger um setor fragilizado e com vinícolas em dificuldades. Nossa intenção inicial foi a de ser solidários com a causa e aos problemas enfrentados por empresas próximas de nós”, respondeu ele, por e-mail, para a Menu.

O que levou a Salton a enviar documento para a Ibravin informando que não apóia mais a salvaguarda?

Primeiro queremos deixar claro que a Vinícola Salton não estava liderando nenhum tipo de movimento de salvaguardas, como tem sido informado, e sim, apenas apoiando as entidades representativas do setor. Não estávamos acompanhando as negociações. Reforçamos ainda que analisamos os critérios de salvaguarda e após isso tomamos a decisão de não apoiar a causa, já que o assunto poderia gerar transtornos aos consumidores e dificultar o acesso aos produtos. A partir do momento que julgamos que os critérios em jogo poderiam restringir o livre arbítrio de nossos consumidores decidimos nos posicionar e não apoiar a causa.

O documento foi enviado apenas à Ibravin ou a Vinícola Salton enviou para o governo também? Se sim, para qual departamento?

A Salton é associada à Uvibra (União Brasileira de Vitivinicultura), que é filiada ao Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho). Enviamos para ambas uma correspondência oficial formalizando que não estamos mais apoiando a medida de salvaguarda.

Como foi a contribuição da Salton para o pedido de salvaguarda? Na circular do governo, está escrito que os dados para justificar a salvaguarda se basearam em informações fornecidas por algumas vinícolas, entre elas a Salton.

Concordamos com uma primeira discussão sobre o assunto, e quando nos deparamos com a interpretação e falta de esclarecimentos de pontos importantes da salvaguarda, como dissemos anteriormente, resolvemos não apoiar mais. É importante deixar bem claro também que a Salton nunca deixou de prosperar e crescer em volume de vendas e faturamento e não precisaria de uma medida para continuar trilhando seu caminho de sucesso.

O Ibravin informou que levou meses para formalizar o documento pedindo a salvaguarda. Como a Salton contribuiu para esta discussão?

A empresa participou de algumas discussões em 2010, com o objetivo de buscar uma concorrência mais justa e melhores condições para seus fornecedores de uvas, famílias que dependem do cultivo das parreiras para sobreviver. A salvaguarda viria para proteger um setor fragilizado e com vinícolas em dificuldades. Nossa intenção inicial foi a de ser solidários com a causa e aos problemas enfrentados por empresas próximas de nós. Em nenhum momento concordamos com ações que pudessem lesar qualquer das partes. Por conta disso, decidimos nos retirar do movimento.