Bebida

Maratona de botecos mineiros

Bolinho de tilápia do bar Peixe Frito, no Comida di Buteco de BH

Por Pedro Marques, de Belo Horizonte

Como diz um famoso narrador esportivo: “É teste para cardíaco, amigo!”. Mas não tem nada a ver com futebol. O desafio é participar de uma caravana do Comida di Buteco, festival que, como o nome sugere, premia as melhores comidas feitas nos botecos de várias cidades. E, quando os bares são os de Belo Horizonte, fazer uma maratona etílica-gastronômica fica ainda mais difícil: os “petiscos” são tão grandes que os organizadores decidiram que não podem ser servidos com facas, caso contrário podem ser confundidos com refeições completas.

Uma das coisas mais interessantes do festival, que nasceu em Belo Horizonte e hoje está presente em várias cidades brasileiras (chega a São Paulo no começo de junho) é que todo ano um ingrediente é escolhido e é presença obrigatória nas receitas. Neste ano, o queijo minas – mineiro, mesmo, da Canastra ou do Serro – estava em todos os tira-gostos. No Bar do Doca, o primeiro visitado, ele aparece na “trouxinha do Doca”, trouxinhas de carne recheadas com tomate seco, bacon e maionese sobre cama de queijo minas. Na receita, alguns dos bolinhos eram cozidos e outros fritos.

O segundo bar visitado pela caravana, o Pimenta com Cachaça, traz o “di cumê rezando” como concorrente deste ano: frango ao molho pardo e frango com açafrão, angu com queijo minas, creme de ora-pro-nóbis e molho de maionese com pimenta. O tira-gosto do Peixe Frito, por sua vez, foi bastante elogiado. Batizado de “tentação de Minas”, é um bolinho de tilápia que leva batata e mandioca na massa, servido com molho siciliano (à base de maionese).

Entre tapas e queijos, petiscos do Família Paulista para o concurso

O Família Paulista, bar que fica em uma galeria aberta e tem cara de festa no quintal, está servindo o gigante “entre tapas e queijos”, que leva chips de mandioca, bolinhos de queijo Minas, rolinhos de frango recheados com presunto e queijo, e peito de peru enrolado e recheado com molho à base de maionese. Para fechar com o pé direito na jaca, o “trem bão”, do Bar do João, ofereceu uma porção de língua empanada no queijo minas, batata bolinha na manteiga com alho e molho especial de maionese.

Não sei se ficou claro, mas todas as comidas de boteco de Belo Horizonte provadas na tinham maionese, e isso não é coincidência. A Hellmann’s é uma das patrocinadoras oficiais do evento e oferece um prêmio em dinheiro para os petiscos que usarem o molho pronto na receita: R$ 5 mil à porção mais votada, R$ 3 mil para a segunda porção mais votada e R$ 2 mil para a terceira (os valores são válidos para Belo Horizonte e São Paulo. As outras cidades onde o evento está sendo realizado oferecem prêmios menores).

Os bares não são obrigados a usar o produto, mas a maioria dá um jeito de colocar a maionese da marca, seja como recheio, seja como um molho para acompanhar os tira-gostos. No total, 39 dos 41 botecos participantes de Belo Horizonte incluíram o molho pronto em suas porções. Flávia Rocha, uma das organizadoras do festival, acredita que o patrocínio não descaracteriza as receitas. “Os bares usam se quiserem, não é obrigatório”, afirma. E, na maioria das vezes, a maionese é apresentada como acompanhamento em vez de ser ingrediente indispensável das receitas.

Com ou sem maionese, é preciso de bastante disposição para provar as 41 porções. O festival costuma ficar por apenas um mês em cada cidade, o que dá mais de um bar por dia. Na versão mineira, cada petisco sai por R$ 22,90. Em São Paulo, o desafio promete ser ainda maior: o Comida di Buteco acontece de 1 de junho a 1 de julho e terá 50 bares concorrendo ao prêmio de melhor petisco da cidade.

Mais informações no site www.comidadibuteco.com.br