Bebida

Volta às origens?

Por Suzana Barelli

Raffaela Bologna e seus vinhos, em visita ao Brasil

A vinícola italiana Braida, do Piemonte, é um marco na história da uva barbera. Em 1982, Giacomo Bologna, então proprietário da vinícola, decidiu envelhecer a uva em barricas de carvalho francês, contrariando a tradição local, de fazer um vinho rústico, destinado aos camponeses do norte do país da Bota. Barricado, como ficou chamado este estilo de vinificação, a barbera ganhou o mundo, e várias vinícolas piemontesas passaram a elaborar o vinho desta maneira.

Atualmente, os dois filhos de Giacomo, Raffaela e Giuseppe, elaboram tintos com a barbera em estilos diferentes. Fazem o pioneiro Bricco dell´Uccellone, o barbera barricado que envelhece 15 meses em barricas de carvalho francês de 225 litros antes de chegar ao mercado. E elaboram também um barbera frisante, o La Monella; um blend da barbera com outras uvas, como o il Baccalé, e o Ai Suma, inspirado nos grandes amarones, os vinhos potentes do Vêneto. A diferença é que o vinho nasce da colheita tardia da barbera, que quase seca nos vinhedos antes de ser colhida (nos amarones, a uva é seca em caixas, após a colheita).

Vinhedos de barbera da vinícola italiana Braida, no Piemonte

A casa só não tem um barbera sem passagem em barricas de carvalho. Ou não tinha. Em visita ao Brasil, Raffaela contou que seu irmão vem elaborando um barbera sem afinamento em madeira. É um tinto mais leve, com muita fruta. Mas a família só não sabe quando e se lançará a bebida no mercado. Giuseppe quer lançar em breve o vinho, mas Raffaela tem dúvidas. “Atualmente, todos identificam os nossos barberas. Não sei se um vinho sem madeira será identificado com a Braida”, afirma. Aos consumidores, o desejo é que Giuseppe convença a irmã. No mínimo, para conhecer a barbera em todos os seus estilos.

No Brasil, os vinhos da Braida são importados pela Expand – www.adegaexpand.com.br