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A palavra do modernista

Nathan Myhrvold aposta na invenção (crédito: Melissa Lehuta/Modernist Cuisine, LLC)

Da redação da Menu

Para nos despedirmos da edição de aniversário da Menu, que completou 14 anos, e da Editora Três, que fez 40 anos, o o norte-americano Nathan Myhrvold, ex-chefe de tecnologia da Microsoft e autor do livro Modernist Cuisine, fala sobre o futuro da gastronomia, em entrevista concedida por e-mail:

 

“Uma das coisas incríveis sobre o modo como comemos é que nós adoramos a variedade. A variedade da comida que está disponível hoje, quer esteja em Seattle ou em São Paulo, é muito maior do que em qualquer outro momento da história. Antes só era possível ter sushi no Japão, mas agora você pode tê-lo em muitos lugares ao redor do mundo. Podemos dizer o mesmo da pizza, do espresso e de muitos outros pratos. Se eu fizer uma projeção sobre o que será a gastronomia em 14 ou 40 anos, acredito que terá uma variedade ainda maior em comida.

Outro ponto é que os alimentos raramente desaparecem por completo. Enquanto a variedade cresce, pratos antigos continuam disponíveis. Às vezes eles se tornam menos comuns. Por exemplo, nos anos 1950, nos Estados Unidos, era possível encontrar o meatloaf (rocambole de carne) no cardápio da maioria dos restaurantes. Em seguida, passou por um período em que se tornou escasso. Mas agora virou um prato retrô e pode ser encontrado nos menus novamente.

Uma grande parte dos alimentos foi feita com um propósito, como a preservação, no caso do beef jerky (charque) ou das carnes defumadas. Mas mesmo quando o objetivo prático deixou de ser necessário, esses alimentos continuaram ser feitos por conta do seu ótimo sabor.

Quando olhamos para os próximos 14 anos, podemos dizer que as tendências modernas da alimentação serão muito mais evidentes. Haverá um maior número de técnicas modernas.

É comum que países importem ingredientes para aumentar a variedade alimentar, assim como aqueles que importam sushi do Japão e pizza da Itália. Isso continuará, pois a globalização tornou o mundo ‘menor’, os tipos de alimentos que ainda têm de ser importados são limitados. Nós nos voltaremos para a invenção para satisfazer nosso desejo interminável de experimentar algo novo. Observe que a invenção sempre foi usada para criar novos alimentos. O sorvete é uma invenção, por exemplo. Em quarenta anos, eu acho que veremos uma imensa variedade de novas comidas, e a maior parte será inventada.”