Bebida

No Dia Internacional da Mulher, o destaque para os vinhos elaborados por enólogas

Maria Luz Marin, que produz o Cipress

Por Suzana Barelli

Fato raro até a última década, hoje é crescente a quantidade de vinhos elaborados por enólogas. Da chilena Cecília Torres, do Casa Real, e Susana Balbo, da vinícola argentina Dominio del Plata, para citar os exemplos pioneiros na América do Sul, aos vinhos portugueses de Sandra Tavares da Silva ou de Filipa Pato, à francesa Lalou Bize-Leroy, dos borgonhas  da Domaine Leroy,  os exemplos não faltam. E percorrem todo o mundo vinícola.

São várias as explicações para este crescimento feminino. Desde o fim (ou a grande diminuição) do preconceito pelo trabalho feminino, ou a facilidade de produzir. Hoje, com a tecnologia, o trabalho na vinícola não é mais tão pesado, fisicamente falando, apesar de ser bastante estressante. E, dizem, as mulheres são mais cuidadosas no trato com o vinho e sua elaboração – e isso não quer dizer que fazem apenas vinhos necessariamente femininos. Muitas elaboram branco e tintos potentes, que são definidos, facilmente, como vinhos masculinos.

O vinho de Susana Esteven

No dia de hoje, vário rótulos feitos por mulheres chegam à minha memória gustativa. Mas vou me deter a dois deles.

O primeiro é o Blog, que a espanhola de alma portuguesa Susana Esteven, faz para alentejano Tiago Cabaço. É um tinto moderno, de perfil frutado, como os bons tintos alentejanos, mas com um equilíbrio ímpar. A safra de 2010 custa R$ 154,30, na Adega Alentejana. Alias, Susana elabora um vinho que gostaria de conhecer, junto com Sandra Tavares, que trabalha no Quinta Vale Dona Maria e tem um projeto pessoal, o Pintas, com seu marido, no Douro. Amigas desde quando Susana trabalhava na Quinta do Crasto, as duas fizeram seu primeiro vinho juntas na safra de 2012.

O segundo é o Cipress, um belo exemplo de sauvignon blanc chileno, elaborado por Maria Luz Marin, no vale de San Antonio. Maria Luz é uma lutadora, pioneira em apostar nesta região bem próxima ao oceano Pacífico, apesar de todas as pressões para que não investisse no local. E prova, com os seus vinhos (ela também elabora interessantes pinot noir), o potencial da região. Os vinhos da Casa Marin acabaram de mudar de importadora no Brasil. São agora trazidos pela Zahil. A safra de 2011 do Cipress custa R$ 138.

Informações: www.adegaalentejana.com.br e www.zahil.com.br