Bebida

Uma vinícola para chamar de sua

O Covela branco e a bela vista da quinta

Por Suzana Barelli

Em tempos de brasileiros investindo em vinícolas europeias, como André Esteves, do BTG Pactual, à frente da italiana Argiano, vale contar a história da portuguesa Quinta da Covela. Em 2008, conheci seus vinhos em um jantar da chef Carla Pernambuco, que tinha voltado de uma viagem a Portugal e estava encantada com seus rótulos. Depois, soube que a vinícola portuguesa estava com problemas financeiros e iria fechar. Qual não foi minha surpresa ao descobrir que a Quinta da Covela, que fica no Minho, quase fronteira com o Douro, agora pertence a um jornalista. O inglês Tony Smith, que foi correspondente do New York Times no Brasil, acabou comprando a vinícola, em sociedade com o empresário brasileiro Marcelo Lima, acionista do grupo brasileiro Artesia (que, entre outras coisas, tem a Metalfrio e as marcas Le Lis Blanc e Bo-Bô).

Amigos de longa data, por quatro anos os dois visitaram vinícolas à venda na Alemanha, Itália e Portugal até chegar a Covella, que estava indo para leilão. Numa verdadeira maratona, venceram o leilão, mas não levaram, e acabaram comprando a Covela dois anos depois, em 2011, encantados com seu potencial vinícola e pela sua paisagem, com vista para o rio Douro. A propriedade de 34 hectares, 14 deles com vinhedos, tem ruínas do século 16, que estão sendo recuperadas, e mantém seus traços renascentistas também por influência de um dos seus ex-proprietários, o cineasta português Manoel de Oliveira.

Nos vinhos, os novatos Smith e Lima mantiveram o enólogo Rui Cunha na liderança do projeto e tiveram a coragem dos bons produtores. Em 2011, apesar da necessidade financeira – eles investiram cerca de 3 milhões de euros no projeto – decidiram não elaborar a primeira safra, pelas péssimas condições que encontraram os vinhedos. As plantas foram quase abandonadas enquanto procurava-se um novo dono para o projeto.

Assim, a primeira safra dos novos donos é a de 2012, e os vinhos estão começando a chegar ao mercado. Smith e Lima estão animados com a colheita. Pela primeira vez, fizeram um vinho verde, o tradicional da região do Minho, apenas com a uva avesso. É o Edição Nacional Branco 2012. Já lançaram em Portugal também o Escolha Branco 2012, um corte de chardonnay com avesso. Atualmente, eles estão negociando um importador para o Brasil e devem mostrar seus rótulos por aqui em abril, no Encontro de Vinhos OFF. No passado, foi a Decanter quem trouxe os seus vinhos. É esperar para conferir a qualidade na taça.