Bebida

Cinco vinhos para o Dia dos Pais

Por Suzana Barelli

Sebastían (à esq) ao lado de seu pai José Alberto, na sala de barricas da Zuccardi

Que vinho abrir no Dia dos Pais? A resposta depende, primeiro, do gosto paterno –afinal, é o dia dele. Mas sugestões são sempre válidas. A minha é escolher rótulos de vinícolas que passam de pai para filho – algumas ainda há poucas gerações e outras, bem tradicionais.

O malbec, um dos tintos da família Zuccardi

1 – Zuccardi Serie A Malbec

Na década de 1960, o engenheiro Alberto Zuccardi implantou um vinhedo em Mendoza para mostrar aos viticultores locais um novo sistema de irrigação. O engenheiro acabou gostando da nova atividade e fundou a Família Zuccardi. Foi seu filho, o simpático José Alberto quem soube colocar a vinícola na rota da qualidade. Hoje, seu filho Sebastián foca na complexidade e em pequenos terroir, como o tinto Aluvional La Consulta, que conta com consultoria do chileno Pedro Parra.

Por que o pai deve gostar: o malbec é uma boa aposta para pais que adoram carne com vinho tinto. O Zuccardi Serie A Malbec custa R$ 65, na Ravin (www.ravin.com.br)

2 – Barone Ricasoli Brolio Chianti Clássico

A família italiana Ricasoli fez história nos vinhos da Toscana. Em 1872, após 30 anos de pesquisas, o barão Bettino Ricasoli escreveu o que se tornaria a “fórmula” do chianti moderno – o vinho italiano deveria ter a sangiovese como base e poderia ser mesclado com outras variedades tintas, em pequenas porcentagens. Hoje, o chianti clássico tem pelo menos 80% de sangiovese e a moscatel, que era usada na época do barão Bettino, não é mais permitida no blend. A história desta família no vinho, no entanto, é anterior à fórmula – eles elaboram vinho desde 1141, quando o Ricasoli comprou o Castello de Brolio. Hoje, é o barão Francesco que cuida da vinícola e investe em sua modernização.

Por que o pai deve gostar: chianti é o par perfeito para quem aprecia as massas com molho de tomate. O Barone Ricasoli Brolio Chianti Clássico custa R$ 129, na Inovini (www.inovini.com.br)

Nos vinhos brancos, o Château Musar utiliza as variedades autóctones do Líbano

3 – Château Musar Jeune blanc 2010

O libanês Serge Hochar assumiu a vinícola fundada por seu pai, Gastón, em 1959, depois de estudar enologia em Bordeaux. Deste então, ele vem elaborando vinhos com a filosofia francesa, mas de alma libanesa, mesmo durante os anos mais duros da guerra civil no Líbano (entre 1975 e 1990). Atualmente, seus filhos Gastón e Marc cuidam do dia a dia da vinícola, que tem tintos, feitos com uvas internacionais, e brancos, com variedades autóctones do país.

Por que o pai deve gostar: os vinhos libaneses são pouco conhecidos no Brasil, para os pais que gostam da diversidade do mundo de Baco. Elaborado com as uvas obaideh e merwah, o Château Musar Blanc custa US$ 46,90, na Mistral (www.mistral.com.br)

Hugel & Fils, vinícola da Alsácia, que passa de pai para filho desde 1639

4 –  Hugel & Fils Gewurztraminer Jubilée 2007

A história da família Hugh nos vinhos começou em 1639 e sobreviveu as diversas guerras que marcaram esta região, hoje francesa, na fronteira com a Alemanha. Em 1918, Frédéric Emile Hugel assumiu os vinhedos e começou o trabalho em busca de brancos de qualidade. Seu filho Jean continuou esta cruzada, hoje a cargo dos netos de Fréderic:  Georges, Jean e Andre. E a próxima geração já dá sinais que vai assumir a vinícola que elabora brancos secos, como os das uvas riesling e gewurztraminer, e os de colheita tardia.

Porque o pai deve gostar: porque os vinhos brancos também têm seu espaço no mundo de Baco, pelo seu frescor, notas minerais e versatilidade de combinar com as refeições. Como o Gentil, um rótulo mais eclético da vinícola está sem estoque na importadora, a sugestão é o o Hugel & Fils Gewurztraminer Jubilée 2007, para pais que gostam de vinhos mais aromáticos. Custa R$ 225, na World Wine (www.worldwine.com.br)

A exclamação "Darmagi" ("que pecado") deu nome ao tinto de Angelo Gaja

5 – Gaja Darmagi Langhe 2007

A história deste vinho da vinícola Gaja, fundada em 1859, traz um pouco da rebeldia italiana. Angelo Gaja, hoje um dos grandes nomes do Piemonte, decidiu replantar um dos melhores vinhedos da família, na zona de barbaresco, com a uva cabernet sauvignon. Para evitar problemas, esperou seu pai sair de férias. O terreno era um dos melhores para a nebbiolo, a clássica cepa da região. Ao saber da história, Giuseppe, seu pai, exclamou, contrariado: “darmagi”, o que significa “que pecado”, no dialeto local. A primeira safra deste tinto foi a de 1978. O vinho acabou se tornando um sucesso e mostrou que um pouco de rebeldia pode fazer bem.

Por que seu pai deve gostar: é um belo cabernet sauvignon, com alma italiana, para os pais que gostam de filhos rebeldes. É também um vinho caro – US$ 599,50, na Mistral