Bebida

O caminho da syrah, da França para o mundo

Os cachos de syrah ou shiraz

Da redação da Menu

Os vinhos elaborados com a syrah (ou shiraz) no Novo Mundo é o tema da degustação mensal da edição de agosto da Menu, que está nas bancas. O nosso colunista Manuel Luz escreve sobre a uva, que da Côte Rôtie, no norte do Rhône, ganhou as taças pelo mundo afora.

Por Manuel Luz*

A uva syrah é emblemática em todo o sul da França e atinge seu apogeu na Côte Rôtie, região a pouco mais de 30 quilômetros de Lyon. Por centenas de anos, esta casta permaneceu confinada ao canto oeste dos Alpes, mas desde a década de 1970 tem alçado outros voos. Virou sucesso de crítica na Austrália quando por lá desenvolveram um vinho tinto escuro, maduríssimo, com aroma de menta, chocolate e sabor a geleia de fruta negra. A onda atingiu o Reino Unido nos anos de 1980, e depois o mundo todo foi invadido por essa nova e redonda versão.

Até então, os vinhos de syrah, sobretudo do norte do Rhône, dependiam de longo amadurecimento em toneis, e outros tantos anos em garrafa para amaciar e atingir seu apogeu. Frequentemente o longo envelhecimento permitia o surgimento da brettanomyces e o aroma de couro e animal ficaram como sua marca registrada. Mas isso mudou com os australianos. Adeptos do estilo californiano tinham uma fórmula relativamente simples, além de um terroir perfeito. Só vindimavam quando os cachos atingiam seu amadurecimento máximo, o que arredondava os taninos e aprimorava o sabor frutado, além de dar maior volume de glicerol à bebida. Depois o vinho era amadurecido entre 12 e 18 meses em carvalho norte-americano, realçando os aromas doces de baunilha e caramelo. Não demorou muito e a formula foi copiada por outros produtores ao redor do globo.

O Chile é um adepto declarado desta maneira de encarar a syrah. Na Toscana e na Sicília, há excelentes exemplares desta uva. Argentina e África do Sul também têm milhares de hectares destinados tanto a vinhos simples e comerciais quanto para nobres tintos de guarda. Ultimamente os enólogos do Alentejo estão bem empolgados com os resultados obtidos e apontam para uma produção ao estilo australiano repletos de aromas e sabores sedutores marcados pelo carvalho.

Estou bebendo

Sotanum Vin de Pays de Vienne 2010

De cor rubi escuro, tem aroma de tabaco, café, pimenta seca e sálvia fresca. Em boca é potente, intenso, possui muito tanino, acidez viva e muito corpo. É um tinto para guardar por mais dez anos. Não está disponível no Brasil e custa o equivalente a 80 euros na França.

*Manuel Luz, sommelier há mais de 15 anos, tem especialização em gastronomia, é professor, palestrante e colunista de vinho. Trabalha como consultor do Senac São Paulo e do Wine.com.br