Bebida

A história da Taylor, em sete taças

Por Suzana Barelli

Armazém da Taylor's em Vila Nova de Gaia, onde os Portos envelhecem

A Taylor’s, tradicional casa de vinho do Porto, escolheu o mercado brasileiro para fazer o lançamento de seu “novo” vinho: é um Porto Colheita 1964, que chegará ao mercado no começo de 2014. O vinho, que desde o ano de sua safra está envelhecendo nos cascos de madeira de Vila Nova de Gaia, em Portugal, tem uma cor âmbar característica e os típicos aromas de oxidação, com boa complexidade. O lançamento visa aqueles que querem brindar os 50 anos, seja de nascimento, de casamento ou de algum evento especial do ano de 1964. “É uma demanda dos nossos clientes, principalmente do mercado norte-americano”, afirma o inglês Adrian Bridge, CEO da The Fladgate Partnership, grupo que reúne as casas do Porto Taylor’s, Fonseca e Croft.

Para marcar a novidade, que será importada pela Qualimpor, por preço ainda não definido, Bridge promoveu uma degustação com sete Porto Vintage da casa, de 1963 ao 2011. Na seleção das garrafas trazidas especialmente para o Brasil, foram eleitos aqueles vintages considerados o melhor de cada década – vale lembra que vintage é o estilo de Porto elaborado com uvas de apenas uma safra, que ficam em barricas por dois anos e meio e depois envelhecem na garrafa. Só são declarados Vintage safras de boa qualidade.

O Porto Colheira 1964, para quem comemora 50 anos em 2014

A degustação começou com o Vintage 1963, e nem poderia ser diferente. Este é considerado um dos melhores anos Vintage da história do vinho do Porto. Na época, o vinho nascia na Quinta de Vargellas, que ficava a 8 horas da cidade do Porto, e eletricidade não havia por lá. De cor âmbar, com muitos sedimentos, tinha agradáveis notas de evolução, com destaque com para o que os especialistas chamam de caixa de charuto e couro. E boa acidez. O vinho já viveu o seu auge, mas não esta decadente, muito pelo contrario.

O Vintage 1977 marca a chegada da eletricidade à vinícola e também das uvas da Quinta da Terra Feita, propriedade comprada pela Taylor’s em 1974. De cor rubi para âmbar e nítidas notas florais e de compota de cereja e boa concentração. Na década seguinte foi eleito o 1885, já elaborado com a preocupação de se controlar melhor a temperatura da fermentação, preservando melhor as notas frutadas. Seus aromas de fruta lembram cereja e frutas silvestres. No paladar, taninos bem sedosos, gosto de figo e algo de evolução.

O de 1994 se mostrou bem jovem, encorpado, com taninos mais evidentes, boa intensidade de fruta (amoras), boa acidez. O Vintage 2000, o primeiro representante do novo século, tem cor rubi escura, com taninos mais presentes, muita fruta escura (amoras, groselhas), mais exuberante, com notas de chocolate no final, bem elegante. É também a safra que marca a chegada das uvas da Quinta do Junco, à Taylor’s, caracterizada pelas suas vinhas velhas. No painel, traz a impressão de uma mudança no estilo da casa – que Bridge nega. “Desde 1992 começamos a escolher a nossa aguardente e isso reflete no vinho”, afirma. A aguardente que é adicionada para interromper a fermentação nos vinhos do Porto é adquirida em Bordeaux. “Hoje, sabemos escolher aquelas aguardentes capazes de acompanhar a evolução de vinho e durar por décadas”, conta.

Os vintages da prova vertical

Em seguida, o 2007 se mostrou bem jovem, com cor violácea intensa, densa, com notas de frutas secas, algo de ervas finas, e taninos potentes. O final do painel traz o 2011, o mais recente vintage da história, e considerado ano vintage pela qualidade da safra. É o vintage perfeito para fechar com chave de ouro a degustação, vendido por R$ 700, na Qualimpor. É um Porto de cor rubi bem escura, denso, com uma densidade de frutas imensa, com frescor, força e complexidade. É uma história contada nas taças.