Bebida

Como os coelhos resolveram os ataques de pássaros no vinhedo

Coelhos ajudaram a restaurar o meio ambiente e a preservar os vinhedos. Crédito: Divulgação

Por Suzana Barelli

Entre os produtores de vinho, o Chile é um dos países mais adiantados no cultivo sustentável do vinhedo (o outro é a distante Nova Zelândia). A solução para os pássaros, na Viña Montes, é um exemplo de como um olhar atento para o cultivo pode reduzir, em muito, o uso de agrotóxicos. Até dois, três anos atrás, os pássaros eram um problema nos vinhedos no vale de Apalta. Aurélio Montes Jr., enólogo e representante da segunda geração da vinícola, conta que os pássaros surgiram de uma hora para a outra e que adoravam comer as uvas que amadureciam. “ Fizemos redes, armadilhas, tudo, e não resolvia”, lembrou ele em visita ao Brasil no final do ano passado. A solução chegou por um pesquisador da Universidade do Chile, que disse que o problema dos pássaros era a falta de coelhos.

A associação pode parecer estranha. O que tem a ver coelhos com pássaros? Mas a explicação é simples: com o crescimento da região, os coelhos não conseguiam passear entre as vinhas e muitos morriam, ao tentar cruzar as estradas locais. Sem estes animais, desapareceram as águias e, assim, apareceram os pássaros, que não precisavam fugir de seu predador natural. A solução foi fazer caminhos para os coelhos e reestabelecer o equilíbrio local. “Criamos microssistemas de uma maneira mais preocupada com o meio ambiente. Agora, temos muitos coelhos, mas que não atacam as vinhas”, diz o enólogo.

Em tempo, a Montes faz também experiências com um vinhedo cultivado de acordo com a filosofia biodinâmica. Seus vinhos, por aqui, são importados pela Mistral.