Bebida

A maioridade do Assobio

Por Suzana Barelli

A Quinta dos Murças é a aventura no Douro da família de José Roquette, dos donos da alentejana Herdade do Esporão. Seu irmão, Jorge, já tem na região a Quinta do Crasto, dona de um dos melhores cartões postais das margens do rio Douro. Entre as cidades de Régua e Pinhão, Murças é uma quinta pequena, quando comparada com a vinícola no Alentejo – o Esporão é enorme e elabora vinhos de todas as gamas, do Monte Velho aos premiuns, Private Selection e Torre.

Desde que Roquette comprou a quinta, em 2008, o australiano David Baverstock, o principal enólogo das duas vinícolas, se desloca entre o Douro e o Alentejo para elaborar seus vinhos. Na safra de 2011, que está chegando ao mercado agora, Daverstock ganhou melhores ferramentas de trabalho. “A nova adega [vinícola] ficou pronta neste ano”, comemora o enólogo, que veio ao Brasil lançar seus brancos e tintos.

O resultado se revela na taça. Com a adega nova, a quinta agora tem seus primeiros branco e rosé, os dois com o nome Assobio, da safra de 2013, e comercializados por R$ 60 cada. Mas é no tinto o principal ganho da adega nova. Em sua terceira safra, o Assobio ganhou qualidade: suas notas frutadas estão mais puras, com aromas de frutas vermelhas e algo de especiarias. No paladar, é um tinto jovem, com taninos bem moldados, macios, boa acidez, elaborado com touriga nacional, tinta roriz e touriga franca. Nesta safra, o vinho também ganhou 10% do lote que era destinado ao Reserva, mas foi desclassificado. Sorte do Assobio. Por R$ 76,50, na Qualimpor, é um bom exemplo do Douro, na categoria de tintos de boa qualidade, com preço mais acessível.

Além da linha do Assobio, Baverstock apresentou o Quinta dos Murças Reserva 2010 (R$ 265). Suas uvas vêm de vinhas velhas, cultivadas em terreno de solo xistoso. O tinto é feito com a pisa a pé em lagares de granito, e prensado numa antiga prensa vertical. O amadurecimento mostra a preocupação recente de não utilizar muita madeira: apenas 15% do carvalho é de primeiro uso. O restante são barricas já utilizadas nos grandes tintos do Esporão. Por fim, foram degustados o Quinta dos Murças 10 anos (R$ 279) e o Quinta dos Murças Porto Vintage Vintage 2011 (R$ 280). O plano do Baverstock, agora, é investir em um Porto LBV.