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Descorchados, guia de vinhos do Chile, agora avalia também os espumantes brasileiros

O Cave Geisse Terroir Nature 2009, da região da serra gaúcha, foi eleito o melhor espumante brasileiro (foto: divulgação)

por Suzana Barelli

 

Provar um tinto da plebeia uva país, elaborado pela Concha y Toro, ou um malbec argentino fermentado em ovos de concreto; ou ainda uma arneis, a cepa branca do Piemonte, mas agora cultivada no Uruguai. A esta mescla de vinhos cheios de personalidade, todos pontuados para o guia Descochados, agora se somam os espumantes brasileiros. Patrício Tapia, o jornalista chileno que lançou este guia há 17 anos, então focado apenas nos rótulos de seu país, decidiu incluir as nossas borbulhas em sua publicação anual que cresceu ao longo dos anos e já avalia brancos e tintos do Chile, da Argentina e do Uruguai.

No ranking de Tapia, o melhor espumante brasileiro, com 93 pontos, é o Cave Geisse Terroir Nature 2009, elaborado em Pinto Bandeira, na região da serra gaúcha. O melhor rosé é o Espiritu Pacômico Ancestral, de Eduardo Zenker, com 92 pontos. Cinco rótulos, todos com 90 pontos, foram eleitos os melhores brut, como o Rosé Pinot Noir, do Luiz Argenta, e o Millesimé, da Pedrucci. Quatro vinhos, também com 90 pontos, foram considerados os melhores espumantes elaborados pelo método charmat, como o Cordon D’Or Prosecco, da X Decima; ou o Moscatel, da Casa Perini. Dois venceram como revelação do ano, o rosé, de Zenker, e o Nature 2007, da Estrelas do Brasil, com 92 pontos.

O anúncio dos vencedores foi acompanhado de uma degustação, em São Paulo, com alguns dos melhores vinhos do guia. Assim, o vencedor Cave Geisse, que por uma coincidência é elaborado por um chileno, o enólogo Mario Geisse, foi degustado ao lado do Re Noir Nature, um peculiar e gastronômico espumante de Pablo Morandé, no vale de Casablanca. Ao todo, foram 18 vinhos provados, em um equilíbrio entre os estilos mais clássicos, como o Silencio 2010, um dos dois rótulos eleitos como melhor cabernet sauvignon do Chile, com 96 pontos (o outro foi o Casa Real, da Santa Rita), e os “loucos”, como o Marques de Casa Concha Limited Edition, um blend com 85% de pais e 15% de cinsault, que obteve 93 pontos e foi considerado o tinto revelação do ano, ao lado do Specialties Tinto Montaña Malbec 2013, da Viña Santa Carolina.

Neste ano, a escolha entre os clássicos e os “loucos”, como Tapia gosta de chamar os vinhos um pouco mais diferentes, ou com personalidade, foi mais equilibrada do que em 2014. No ano passado, os “loucos” prevaleceram nesta degustação e indicavam tendências, que vem se confirmando. Um exemplo é a linha Marques de Casa Concha, da gigante Concha y Toro. Em 2014, o enólogo Marcelo Papa apresentou um cabernet sauvignon, elaborado com uvas colhidas antes de sua completa maturação – fugir das uvas super maduras está se transformando no desejo de muitos enólogos. Do lado argentino, a “loucura” está por exemplo, na vinícola Gen del Alma, eleita a revelação do ano, com seu tinto Ji,Ji,Ji, uma inusitada mescla de malbec e pinot noir, ou o Imperfecto Malbec 2012, projeto pessoal de Daniel Pi, o enólogo do grande grupo Trapiche. Do lado clássico, o Achával Ferrer Bela Vista 2012, um malbec de Pedriel, com vinhedos ao lado do rio Mendoza, de um frescor incrível, com a fruta bem colocada, complexa.

 

* No Brasil, o Guia Descorchados é editado pela Inner.