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Dom Pérignon promove o retorno do El Bulli por uma noite, com a volta de Ferran Adrià à cozinha

Richard Geoffroy e Ferran Adrià, durante evento de lançamento da safra Dom Perignon vintage 2005 (foto: divulgação)

por Gisele Vitória, de Barcelona*

 

Depois de quatro anos longe das panelas, o chef catalão Ferran Adrià voltou a por as mãos na massa. Ou melhor, na sua precursora cozinha molecular. Por uma noite apenas, Adrià revisitou parte do menu de seu restaurante El Bulli, fechado no auge em 2011. Na última sexta-feira (17), o evento This is not a dinner (Isso não é um jantar, em tradução livre) reuniu um grupo seleto, de apenas 40 convidados, numa antiga fábrica em Poblenon, distrito de Barcelona, na Espanha.

 

Entre paredes que se moviam, jogos de luz e sombra na escuridão, mesas espelhadas, sons e névoas de gelo seco, os convidados puderam apreciar um menu de 29 snacks que harmonizavam com o champagne Dom Pérignon vintage 2005, safra lançada e apresentada por Richard Geoffroy, chef de cave da marca. O evento selou ainda o início da parceria de três anos de Adrià com a marca do champanhe. A fundação El Bulli irá decodificar o significado do Dom Pérignon por meio de sua história e o objetivo é compreender o que o torna tão especial para pensar no futuro.

 

Misto de roteiro sensorial com degustação enogastronômica, a experiência começou num salão escuro, onde os convidados foram orientados a se posicionar, primeiramente, em 40 púlpitos individuais espelhados, para degustar uma taça da safra 2005. Antes do primeiro gole, uma cortina desceu, envolvendo os convidados individualmente, para que pudessem apreciar a taça.

 

Paredes se abriram e, de lá, os convidados foram acomodados em oito mesas espelhadas, onde foi servida uma sequência de snacks classificados como minerality (mineralidade), intensity (intensidade), seamless (integração de frutos do mar com ingredientes da cozinha japonesa) e harmony (harmonia).

 

Entre os grandes destaques da noite, brilharam o tomato and olive oil airbag (canapé de tomate com azeite de oliva), no qual o tomate tinha um surpreendente sabor salgado de chocolate, e o ginger, flowers and yoghurt canape (canapé de iogurte com flores e um toque de gengibre). Clássicos do El Bulli também foram resgatados por Adrià, como as spherical – I green olives (azeitonas esferificadas).

 

O evento de três horas terminou com aplausos para Adrià e a equipe do El Bulli e abraços entre o chef e o anfitrião da noite, Richard Geoffroy. “Quisemos mostrar o poder da liberdade”, resumiu Geoffroy. Ao final do jantar (que não era jantar), o cozinheiro que não cozinha mais explicou que aquela noite era um convite à reflexão. “Foi uma reflexão sobre o espaço e a liberdade criativa. E também uma maneira de captar os prazeres ao apreciar champanhe e comida. Uma experiência diferente, não?”, disse Adrià, que não deve voltar a cozinhar tão cedo. Ele tira avental para mergulhar nos estudos da fundação El Bulli e em sua metodologia que batizou de Sapiens, na qual compreende os processos não só da alimentação e da gastronomia, mas de qualquer área do conhecimento.   “A criatividade pode ser aplicada em qualquer atividade.”

 

*Gisele Vitória é diretora de núcleo da Menu e colunista de IstoÉ, e viajou à convite de Dom Pérignon