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Rodolfo de Santis reforça maturidade profissional no restaurante Nino Cucina

Ambiente do Nino Cucina (fotos: Felipe Gabriel/ Ag. IstoÉ)

por Romeu e Julieta* 

Já faz um bom tempo que Julieta e eu, Romeu, acompanhamos a trajetória do chef Rodolfo de Santis. Há exatamente cinco anos foi publicada nesta seção nossa crítica ao extinto restaurante Biondi, primeira casa em que o chef italiano deu as caras em São Paulo. Na época, a comida não nos agradou por completo. Já no Domenico, restaurante que também fechou as portas, vimos que Santis acertou a mão na execução de pratos tradicionais da cozinha italiana (crítica publicada na edição 171 da Menu).

Infelizmente não deixamos aqui registrada nossa opinião sobre o Tappo Trattoria, a última casa em que Santis deixou sua marca – a saber: ótima comida a preços acessíveis. Mas ela foi o degrau necessário que o chef precisava subir e conquistar um espaço para chamar de seu: o Nino Cucina, aberto há alguns meses no Itaim Bibi.

MENU 202 - ROMEU & JULIETA

O saboroso polpette ao sugo para beliscar.

No espaço que antes abrigava o francês Le Marais Bistrot, pouca coisa ficou do antigo restaurante. “Acho que só mantiveram a mesma posição do bar”, analisou Julieta. Muito bom gosto é o que traduz a decoração: mesas de madeira bem rústica, parede de cimento queimado, luz baixa, poltronas em um canto do salão – posicionadas como se fossem a sala de estar de casa – e louças desenhadas fazem do Nino um lugar bastante acolhedor. “Pena que a proximidade entre as mesas incomode um pouco”, ponderou Julieta.

Esqueça os longos cardápios. Aqui, são 29 pratos, bem enraizados na cozinha italiana, divididos conforme manda a tradição: entrada, primeiro e segundo prato, para petiscar, queijos e frios e sobremesa. Mesmo com poucas sugestões, não foi fácil a decisão.

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Os mexilhões cozidos com tomate, alho e óleo

Resolvemos compartilhar as entradas e fomos muito felizes com os mexilhões cozidos com tomate, alho e óleo (R$ 36), de ponto preciso e caldo perfumado, daqueles de passar horas “colherando”. A brincadeira também foi boa com o polpette ao sugo (R$ 16), de carne bem rosada, recheado de mussarela de búfala, molho de acidez agradável, servido sobre um pão italiano. “Por mim, ficaria só beliscando”, contou minha companheira.

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A vigorosa costeleta de porco com nhoque à romana e sopressata

Ao pedirmos os pratos principais, achei curiosa a atitude do garçom. Depois de questionar Julieta sobre qual seria o ponto da sua costeleta de porco, escoltada por lentilha, nhoque à romana e sopressata (R$ 57), ela respondeu: “Ao ponto”. “O ponto é bem rosado, viu?”, avisou o garçom. E completou: “É melhor ter certeza, pois o chef não deixará voltar a costeleta”. Será que é um comportamento corriqueiro, afinal, o ponto rosado da carne de porco assusta muitos comensais? E, nesse caso, a vontade do cliente não falaria mais alto? Talvez aqui não seja bem assim…

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O chef Rodolfo de Santis em seu melhor momento profissional

Bom, como o ponto não era um problema para Julieta, ela saboreou cada pedaço da carne suculenta (sim, estava rosada), servida em caçarola de ferro, perfeitamente montada. O nhoque tem sabor potente (assado, feito com semolina, ovos e queijo) e a sopressata carrega um toque apimentado. “É ideal para o inverno”, opinou minha parceira.

Picante também estava meu espaguete à carbonara (R$ 53), que segue a receita tradicional, com ovo caipira e pancetta. De ponto correto da massa e do molho, com fartura do embutido, Julieta aprovou meu prato, mas eu só achei muito apimentado para o meu paladar.

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A torta della nonna

Como não queríamos beber muito, optamos por uma meia garrafa (375 ml) do Chianti Gentilesco DOCG 2013 (R$ 83, e R$ 61,08 na importadora), sugestão do garçom para acompanhar nossos pratos principais. A carta privilegia, claro, os rótulos italianos, mas há poucas variedades em meia garrafa e em taça. “É algo que os restaurantes deveriam investir mais”, opina Julieta.

Depois de fecharmos a refeição com a torta dela nonna (R$ 24), que estava mais para um suflê de chocolate com ricota e pera (mas não deixava de ser saborosa), conclui que o Nino, mesmo que seja mais um restaurante italiano na cidade, terá um lugar cativo entre os apreciadores da tradicional cozinha. “Mesmo com os preços um pouco salgados, minha volta é certa”, concretiza Julieta.

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Nino Cucina
rua Jerônimo da Veiga, 30 – Itaim Bibi (veja no mapa)
(11) 3368-6863 – São Paulo – SP
ninocucina.com.br

*Romeu e Julieta são o casal de críticos anônimos da Menu. Crítica publicada na edição 202 da revista.