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Bianca Veratti conquista cobiçado diploma do mundo do vinho

Com o diploma, Bianca se torna a primeira brasileira a obter o título de Dip-Wset, que é um passo antes do master of wine - degrau máximo de conhecimento em vinhos (foto: reprodução/ Bruna Veratti)

por Suzana Barelli

Há uma sigla que dispensa explicações (e inspira muito respeito) no mundo do vinho. É a MW, que significa master of wine. Até hoje, mais de 60 anos depois da fundação do Instituto de Master of  Wine (IMW), apenas 343 pessoas, em 25 países, conquistaram o direito de acrescentá-la ao final do seu nome. Há um único brasileiro neste rol: Dirceu Vianna Júnior MW, que vive em Londres há décadas.

MW é o degrau máximo de conhecimento em brancos e tintos. Para obter esse título, é preciso vencer muitas etapas, de estudos teóricos e de degustações. A última delas, que capacita o profissional a pleitear o curso para master of wine, é o Diploma in Wines and Spirit, conferido pelo Wine & Spirit Education Trust (Wset). Ao passar nas seis unidades do diploma, o candidato recebe o título de DIP-Wset e o direito de assinar estas letras mágicas no final do seu nome.

Nesta semana, a brasileira Bianca Veratti, que trabalha na importadora Zahil, foi aprovada no diploma. Com a conquista, ela se torna a primeira brasileira a obter o título de Dip-Wset (até o ano passado, os formados no mercado inglês tinham a assinatura de AIWS e os do norte-americano, DWS).

Não é fácil chegar lá: mesmo entre os homens não há por aqui mais do que dez profissionais aprovados no diploma. Entre eles estão Bernardo Silveira, também da Zahil; Guilherme Corrêa, da importadora Decanter; Paulo Brammer e Thiago Mendes, da escola Enocultura, entre outros poucos.

O diploma é composto por seis unidades. Bianca começou com a produção de vinhos, que tem como avaliação 100 questões de múltiplas escolhas sobre o setor, serve de base para as demais e é um pré-requisito para seguir no curso. Há uma unidade dos negócios das bebidas alcoólicas, na qual o trabalho é uma dissertação de 3 mil palavras. As demais quatro unidades são avaliadas com provas teóricas, sempre dissertativas e em inglês, e degustações às cegas. São elas: destilados; espumantes, fortificados e vinhos do mundo. Esta última prevê um questionário de cinco perguntas e mais duas degustações às cegas, cada uma com 12 vinhos. Apenas para esta última etapa, Bianca dedicou seis meses e 420 horas de estudo.

Fundado em Londres em 1955, com o objetivo de melhorar a formação dos profissionais desse setor no período do pós-guerra, o IMW se tornou uma referência em todo o mundo. E a procura de brasileiros pelo título mostra que a profissionalização deste setor está chegando ao nosso país.

No Brasil, é possível cursar até o nível 3 – a etapa anterior ao diploma – , nas duas escolas que representam a Wset: a Enocultura e a The Wine School. O diploma é ministrado por aqui apenas em cursos à distância. Bianca fez todas as suas provas em Londres.

Em tempo: Bianca integra o time de degustadores da Menu.