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Por que o melhor sommelier do mundo é sueco

A vitória de Jon Arvid Rosengren é resultado do planejamento e do investimento de longo prazo da associação sueca em seus candidatos (foto: divulgação)

por Suzana Barelli

O sueco Jon Arvid Rosengren é o melhor sommelier do mundo. Ele conquistou o título na última quinta (21) ao vencer a irlandesa Julie Dupouys e o francês David Biraud na final do Campeonato Mundial de Sommelier, realizado em Mendoza, Argentina. Com a vitória, ele se tornou o 15º sommelier a obter este prêmio, criado em 1969 pela Associação Internacional de Sommelier e válido por um período de três anos.

Para chegar lá, Arvid venceu uma maratona de provas, disputadas com outros 59 profissionais, todos eleitos os melhores em sua profissão em seus países. O Brasil foi representado por Diego Arrebola.

A final foi o momento mais emocionante. Primeiro, o nome dos três finalistas foram anunciados momentos antes de a competição começar no Teatro de La Independencia, em Mendoza. Até então, os 15 semi-finalistas aguardavam apreensivos o resultado. A prova, transmitida ao vivo, alias, é de deixar qualquer um apreensivo – em um palco que simula um restaurante, o profissional tem de fazer todo o serviço de vinho, propor harmonizações, decantar vinhos, tudo na perfeição e com o relógio correndo.

Para quem conseguiu acompanhar toda a transmissão, a performance de Arvid indicava que ele tinha muitas chances de conquistar o título. Se bem que, a desenvoltura de Julie sugeria em alguns momentos, que pela primeira vez uma mulher poderia vencer a competição (uma outra mulher, a argentina Paz Levinson terminou a competição em quarto lugar). Arvid já tinha obtido o título de melhor sommelier da Europa em 2013. Em 2010, foi o melhor sommelier da Suecia e, em 2009, o melhor dos países nórdicos. Atualmente, ele trabalha no restaurante Charlie Bird, no SoHo, em Nova York.

O sommelier brasileiro Guilherme Corrêa, que já competiu nesta prova, conta que o preparo de Arvid foi diferenciado, em um modelo que deveria ser seguido pelas demais associações de sommeliers mundo afora. “É uma vitória da escola sueca, do planejamento, do investimento de longo prazo”, diz ele. Correa já teve a oportunidade de ser treinado por uma semana por Sören Polonius, o técnico de Arvid. “Ele me contou sobre o trabalho minucioso que a associação sueca dedica aos candidatos”.

É uma crítica que reverbera entre os sommeliers, não só os brasileiros. Em muitos países, os sommeliers ainda carecem de um treinamento mais profissional. A argentina Paz, que vem se destacando entre os sul-americanos, por exemplo, optou por trabalhar na Europa, para conseguir se aperfeiçoar na profissão. Atualmente, os melhores sommeliers trabalham ou na Europa ou no Japão.