Cultura

Alex Atala é desnudado em Chef’s Table

A adolescência punk e o seu envolvimento com a natureza são alguns temas do episódio sobre Alex Atala (foto: divulgação/ Ricardo D'Angelo)

por Beatriz Marques

Golpes de ansiedade, com aquele típico frio na barriga. Era assim que Alex Atala, chef do paulistano D.O.M., se sentia minutos antes de começar a apresentação de seu episódio em Chef’s Table para a imprensa, que aconteceu na última segunda (23). “Acabei de assistir com a minha equipe”, disse o chef, com o olhar emocionado.

A série documental idealizada pelo norte-americano David Gelb e apresentada com exclusividade pela Netflix já perfilou seis chefs na primeira temporada, como o italiano Massimo Bottura (da Osteria Francescana, em Módena) e o norte-americano Dan Barber (do nova-iorquino Blue Hill), e foi transmitida para mais de 190 países.

Diferentemente dos reality shows de gastronomia que bombam na tevê, Chef’s Table não traz receitas, muito menos competições culinárias. Mas mostra a vida real de importantes personagens da gastronomia mundial. Por isso, dá gosto e orgulho de ver um brasileiro entre os destaques da segunda temporada da série, que estreia na próxima sexta-feira (27).

Em uma jogada de edição que entrelaça fatos pessoais e profissionais, passado e presente, o espectador acaba conhecendo intimamente quem está por trás das duas estrelas Michelin e do 9º lugar entre os 50 melhores restaurantes do mundo conquistados pelo D.O.M. “Ser chef é só uma parte do Alex”, diz David Chang, chef do Momofuku (EUA), durante o documentário.

A adolescência punk e o envolvimento com drogas, o trabalho como pintor de parede na Europa antes de se voltar para a cozinha e o intenso envolvimento com a natureza – algo praticado desde a infância – são histórias relembradas pelo chef que aproximam o espectador de sua personalidade irrequieta.

As parcerias costuradas nessa caminhada – muitas em andamento pelo Instituto ATÁ – não foram deixadas de lado, como Dona Brazi (de São Gabriel da Cachoeira, AM) e suas formigas , os arrozes de José Francisco Ruzene (de Pindamonhangaba, SP) e a pimenta jiquitaia dos índios Baniwa (AM).

É claro que, por ter sua vida esmiuçada em 20 dias de filmagens e resumida em 45 minutos de programa, muita coisa ficou de fora. Mas dá a oportunidade de entendermos melhor o que há por trás de cada prato e criação de Atala. “Eu não faço comida para agradar, mas sim para dar recado”, avisa o chef. O recado está dado.

A segunda temporada de Chef’s Table estreia no Netflix nesta sexta (27) e, além de Atala, participam dos episódios Ana Ros (Hiša Franko, Eslovênia), Dominique Crenn (Atelier Crenn, EUA), Enrique Olvera (Pujol, México), Gagan Anand (Gaggan, Tailândia) e Grant Achatz (Alinea, Next, The Aviary, EUA). Assista ao trailer da nova temporada: