Comidas

O restaurante Karú traz pratos que esbanjam personalidade

Talento do chef André Ahn fica em evidência no novo restaurante Karú (fotos: Felipe Gabriel/Ag. IstoÉ)

por Romeu e Julieta*

Quem acompanhou a edição 205 da Menu viu que a crise anda pegando de jeito a alta gastronomia. Mas parece que o Karú, aberto em março, no Jardim Paulistano, vai contra a corrente. No mesmo lugar em que ficava o restaurante Avek, fechado em dezembro do ano passado, o Karú sofreu poucas mudanças físicas. O salão continua espaçoso, com pé direito duplo, decoração moderna e acolhedora. Mas a grande mudança aconteceu dentro da cozinha. Saiu o francês Alain Uzan e os pratos de bistrô e entrou André Ahn. O chef de 33 anos ganhou notoriedade no Guaiaó, em Santos, de cozinha contemporânea – algo raro na Baixada Santista. Em julho do ano passado, o restaurante encerrou as atividades e os pratos criativos de Ahn subiram a serra.

MENU 206 - ROMEU E JULIETA

O ovo perfeito com pão esponja de bacon

“Há combinações interessantes, com ênfase em ingredientes nacionais. Fiquei com vontade de provar tudo”, disse Julieta ao analisar o cardápio. Pela descrição, dava para sentir que técnica de alto nível estava em jogo. Ela foi testada nas vieiras de Ubatuba (R$ 43), escolha da minha parceira para a entrada. “O delicado molusco ganhou força depois de defumado e marinado na caipirinha (ficou com cor rosa), acompanhado de cremoso purê de cará e refrescante redução de maracujá e raspas de limão”, avaliou. O prato fez parte do Guaiaó e merece, de fato, ser perpetuado no Karú. Minha entrada, o ovo perfeito (R$ 32), também impressionou. O creme de cebola adocicado e queijo minas deram vigor ao ovo, acompanhado do curioso pão esponja de bacon, de cor negra. “É feito com gergelim preto”, explicou o treinado garçom.

Os traços contemporâneos da cozinha de Ahn continuaram no degradê de atum (R$ 68), meu prato principal. O pescado veio selado (com o interior cru), acompanhado de arroz negro tostado e beterraba em seis apresentações: conserva, brotos, vinagrete, em lascas cruas, em farofa e emulsão – algumas um pouco difíceis de serem identificadas, mas a composição estava saborosa. Já Julieta optou por prato mais tradicional: costelinha e barriga de porco com molho de jabuticaba (R$ 62), que desmanchava na boca, escoltada por cremosa canjiquinha com shimeji e emulsão de rúcula. “É potente de sabor e reconfortante para a alma”, concluiu minha parceira.

 

Pela boa oferta de vinhos em taça e em meia garrafa, pedimos a meia garrafa do chileno Falernia Sauvignon Blanc 2013 (R$ 42, R$ 45,11 na importadora) e uma taça do argentino Família Barberis Cabernet Sauvignon 2010 (R$ 21,90, R$ 75,90 a garrafa na importadora) para Julieta acompanhar seu porco.

Inusitada e não menos saborosa, a equilibrada sobremesa caprese (R$ 19), com creme de fromage blanc delicado, tomate sweet grape adocicado, refrescante sorbet de alface e uma placa açucarada de manjericão, só reforçou a certeza de um retorno ao Karú. “Os pratos não são baratos, mas pela técnica, criatividade e estética, valem cada centavo”, afirmou Julieta. Para quem não pode desembolsar tanto, vale tirar a prova no menu executivo do almoço (entrada e principal ou principal e sobremesa) por R$ 45.

Karú

rua Joaquim Antunes, 48 – Jardim Paulistano (veja no mapa)

(11) 2507-5932 – São Paulo – SP

restaurantekaru.com.br

 

* Reportagem publicada na edição 206. E Romeu e Julieta formam o casal de críticos anônimos da Menu