Coluna

Versão repaginada do ponche é ideal para servir em festas

Outrora marginalizado, versão repaginada do drinque tem tudo a ver com celebração (foto: reprodução)

por Néli Pereira*

Sucesso nas festas brasileiras nas décadas de 1970 e 1980, quando poncheiras guardavam misturas que geralmente levavam algum tipo de espumante ou bebida barata, o ponche tem uma história ainda mais antiga. Ele saiu da Índia e veio parar no Ocidente com os marinheiros ingleses – conhecidos por gostarem de bebida durante as navegações. Tornou-se uma bebida tradicional na Inglaterra até cair de moda em 1850. E desde então ele permaneceu esquecido, com um ou outro resgate ao longo das décadas.

O que não mudou, no entanto, foi a tradição de ser uma bebida para ser compartilhada e, por isso, sempre relacionada a festas. E porque não resgatar esse coquetel e dar aquela repaginada na sua celebração?

Além de ser uma bebida que incita a interação – cada um precisa ir até à mesa e se servir da mesma poncheira – o ponche tem preparo mais fácil do que os coquetéis individuais numa festa. E podem ser quentes ou frios, basta mudar a receita. Além disso, resgatam um ritual clássico e nostálgico da coquetelaria – daqueles que valem a pena ser revisitados.

O rei dos drinques

Um dos principais historiadores e pesquisadores da coquetelaria, David Woondrich dedicou um livro todo ao ponche, classificado por ele como o “monarca dos coquetéis”. Além de contar minuciosamente a história da bebida, ele ainda traz receitas clássicas em Punch: The Delights (and Dangers) of the Flowing Bowl. E atenção para o título: as delícias e os perigos do ponche. Sim, é fácil de bebericar, mas é bem alcoólico. Por isso, aprecie com moderação.

Numerologia da receita

A receita do ponche está ligada a uma numerologia ancestral etílica – ou ainda semântica. “Punch, do sânscrito quer dizer “pãnc” ou “cinco”. Por isso, todo ponche deve ter cinco ingredientes básicos: álcool, açúcar, limão, água e especiarias. Atualmente, o rum ganhou força como o destilado principal: use-o em receitas clássicas ou invente a sua. Uma mesa fica linda com uma poncheira antiga – tente achá-la em antiquários ou resgate aquela empoeirada da família e traga-a novamente para as celebrações. Você ainda pode colocar as especiarias separadas, para cada um temperar como preferir, e escolher frutas secas ou da estação para deixar o ponche ainda mais bonito. Outra dica é preparar o gelo do ponche com pequenas ervas ou pedacinhos de frutas, para deixá-lo mais colorido.

* Texto publicado na coluna A Coqueteleira, da edição 212