Comidas

Pratos saborosos e preços atraentes são marcas do Piccolo

Os chefs Marcelo Laskani (à dir.) e Marcelo Milani, que dividem o comando da cozinha (fotos: Felipe Gabriel/Ag. IstoÉ)

por Romeu e Julieta* 

Já faz um bom tempo que Romeu e eu, Julieta, estávamos de olho no Più, restaurante italiano moderno com toques autorais, que desde 2015 tem levado uma boa clientela ao bairro de Pinheiros. Mas antes que conseguíssemos visitar a casa, o chef Marcelo Laskani e o maître Maurício Cavalcante decidiram abrir no mesmo bairro, no mês passado, o Piccolo, uma versão diminuta do Più.

De ambiente rústico e acolhedor, a novidade veio aumentar a badalação gastronômica da rua dos Pinheiros – mal tinham começado a funcionar e uma fila de espera se formara no almoço de uma sexta-feira, dia de nossa visita. “Infelizmente não fazemos reserva”, havia avisado o garçom. Outra pena foi descobrir que o cardápio à la carte era servido somente à noite. “Mas pelo menu executivo conseguimos ter uma base para nossa avaliação”, disse Romeu.

Burrata defumada

Não dá para negar que o preço é bastante atraente: R$ 48, com entrada, prato principal e sobremesa (no cardápio fixo, o prato mais caro custa R$ 74). Fora do menu, dava para pedir a burrata defumada na mesa (R$ 45), nossa escolha para começar a refeição. Bem cremosa, com tomate picado, manjericão e azeite (com uma “seringa” injetada no queijo), vem dentro de uma cloche com bastante fumaça, retirada pelo garçom na hora de servir. “Pena que o defumado não ficou tão presente na burrata. E o pão que acompanha está ressecado”, reclamou Romeu. Outra decepção veio com o serviço, pouco treinado. Quando perguntamos qual vinho havia em taça, a resposta foi “branco e tinto”. Decidimos ficar com uma garrafa do branco argentino Escorihuela Familia Gascón Chardonnay 2015 (R$ 96 no restaurante e R$ 62 na importadora). “Mas não acho que esse episódio comprometa o restante do serviço, que foi eficiente”, discordou meu companheiro.

O que parecia ser um prenúncio de uma refeição medíocre foi por água abaixo depois da irretocável sequência de pratos. A salada de folhas ganhou vigor com a delicada brandade de bacalhau e coulis de azeitona preta, escolha de Romeu para a entrada. Mas a minha pedida se saiu ainda melhor: polenta bem cremosa e intensa, com a ajuda do queijo caciocavallo gratinado, servida em uma pequena caçarola.

Os principais foram mais surpreendentes: generoso e suculento stinco de porco preparado em baixa temperatura, com um sedoso purê de batatas defumadas, folhas de capuchinha e pimenta cambuci assada. “Impecável, criativo e bem servido”, avaliou meu parceiro. Meu prato não ficou atrás: as tradicionais polpette de carne gratinadas, recheadas de queijo caciocavallo, eram macias e rústicas, com molho de tomate fresco, acompanhadas de tagliolino feito na casa, preparado na manteiga e sálvia.

Infelizmente, o menu de almoço só traz duas opções de sobremesa: frutas da estação e doce de abóbora com musse de coco sobre biscoito amanteigado, que trouxe um jogo de texturas interessante e doçura bem equilibrada – e me deixou mais curiosa para voltar ao Piccolo. “Se a qualidade chegou a esse nível em um cardápio executivo, fico imaginando como será no jantar”, empolgou-se Romeu.

 

Piccolo

rua dos Pinheiros, 266 – Pinheiros (veja no mapa)

(11) 3213-8449 – São Paulo – SP

piccolorestaurante.com.br

 

* Romeu e Julieta é o casal de críticos anônimos da Menu. E a crítica foi publicada na edição 214

** Os preços podem ter sofrido alterações