Bebida

Há dez associações de produtoras de vinho na França

A associação de produtoras francesas Le Cercle des Femmes de Vin se reúnem para tratar desde questões de mercado até ações contra o machismo (foto: divulgação)

por Suzana Barelli

Há na França pelo menos dez associações de mulheres ligadas ao mundo do vinho. Agrupadas no guarda-chuva Le Cercle des Femmes de Vin, elas têm uma pauta ampla de assuntos que a levaram a se reunir: desde pensar em ações contra o machismo na atualidade, dividir problemas comuns e pensar em soluções para eles, até trocar ideias de mercado. Ao todo, são mais de 200 produtoras, das mais diversas idades.

Chama a atenção que a maioria destas associações surgiram depois do ano 2005. Ou seja, as questões de gênero, inclusive na viticultura, são assuntos atuais. Em entrevista a Isabelle Moreira Lima, no Paladar, do Estadão, por exemplo, Véronique Lombardo, do Château le Devoy Martine, afirmou: “Os funcionários que não me respeitam, bem, eu os demito. Os fornecedores, eu troco. A verdade – e o que muitos não conseguem entender – é que nós temos o poder de decidir. E o talão de cheques na mão.”

Véronique Lombardo é uma das 31 produtoras que pertence a Femmes Vignes Rhône, presidida por Françoise Roumieux. A associação foi fundada em 2004. As demais associações francesas de mulheres e vinho são Les Dames de Coeur de Loire, Les diVINes d’Alsace; Etoiles en Beaujolais; Les Aliénor du vin de Bordeaux; Femmes et Vins de Bourgogne; Les Fa’bulleuses (numa brincadeira com as borbulhas, de Champanhe), Eléonores de Provence; SO Femme & Vin (de regiões próximas à Bordeaux) e Les Vinifilles (de Languedoc Rousillon). As enólogas de Languedoc, por exemplo, representam uma superfície de 620 hectares, empregam 100 funcionários e exportam 40% da produção.

Em 2014, eu tive a oportunidade de participar de uma degustação das Femmes et Vins de Bourgogne, realizada durante o Grands Jours de Bourgogne. Fundada no ano 2000, esta associação reúne 40 mulheres das diversas apelações da região. Não era um encontro feminista (havia, inclusive, muitos homens degustando os seus vinhos), mas eram as mulheres que serviam os seus brancos e tintos. Anne Gros, da domaine que leva o seu nome, era uma das presentes. Na degustação, ela não quis falar de questões de gênero, disse não acreditar em vinhos masculinos ou femininos. E pude provar seus vinhos, que são muito elegantes.