Coluna

Coquetéis clássicos italianos caem no gosto dos brasileiros

O negroni, um dos drinques emblemáticos da coquetelaria italiana (fotos: divulgação)

por Néli Pereira*

No ano passado, fui jurada de um dos principais concursos de coquetelaria do Brasil – o World Class, promovido pela Diageo, que consagrou Diogo Sevillo, do Cozinha 212, em São Paulo, como campeão (leia mais na edição 220 da Menu). Uma das provas era, curiosamente, sobre os clássicos italianos, na qual os bartenders deveriam se inspirar em coquetéis ou no lifestyle do país europeu para criar ou revisitar receitas.

Fiquei pensando que não é de se espantar que a coquetelaria italiana tenha caído no gosto dos brasileiros, amantes que somos da culinária daquele país. Mas você já observou como temos curtido os bons coquetéis italianos de uns tempos para cá? Creio que tudo começou com a febre do aperol spritz e, mais recentemente, do negroni. Mas há outros clássicos, como o bellini, criado em Veneza e conhecido por aqui há algumas décadas.

E vem da Itália um importante conceito de estilo de vida aliado à coquetelaria: os “aperitivos”. Mais do que coquetéis para “abrir o apetite” ou começar uma refeição, os aperitivos italianos são uma parte importante da cultura, semelhante ao nosso happy hour, e do qual fazem parte, necessariamente, um bom drinque e alguns petiscos – cada bar tem o seu, a depender da região, e se tornaram muito populares, especialmente em Milão.

Outro indício da nossa sede a la italiana pode ser observada na proliferação de oferta de vermutes, começando pelo próprio Martini, e dos bitters como o Aperol e o Campari, que se firma como uma importante marca desde os botecos mais tradicionais aos bares da alta coquetelaria.

Convencidos? Então, prendiamo un aperitivo?

Os clássicos

Entre os aperitivos italianos mais tradicionais, estão o americano, que leva Campari, vermute e club soda, assim como o próprio bellini, com um bom prosecco e purê ou suco de pêssego. O spritz – que no Brasil ganhou a fama com o Aperol – também é bastante popular, e a receita segue sempre a tríade: um licor amargo (Aperol, Campari, Cynar, etc), prosecco e seltzer ou club soda. Um bom negroni também entra na lista.

 

Capisce?

Para saber mais sobre a Itália e os aperitivos, o livro Aperitivo: The Cocktail Culture of Italy, de Marisa Huff, é um ótimo começo. Logo no prefácio, ela lembra uma frase do bartender Toby Cecchini sobre essa cultura que envolve a coquetelaria: “É o reflexo perfeito da forma como os italianos lidam com as coisas: simples e elegante.”

* Texto publicado na seção A coqueteleira, da edição 220 (agosto/2017)