Coluna

Amaros são tendência na coquetelaria

À base de ervas, cascas e raízes, amaros estão chegando com tudo ao País (foto: divulgação)

por Néli Pereira*

Quem nunca ouviu falar dos elixires ou mesmo de nossas tradicionais garrafadas brasileiras? Vá a qualquer bar e pergunte se não tem pinga de carqueja, milome, catuaba e outras macerações. E se você pedir uma dose, certamente vai vir ainda com uma recomendação: “Isso aí faz bem para o reumatismo”, e assim por diante.

Pois não somos só nós, brasileiros, que misturamos esses ingredientes ao álcool – tampouco somos os únicos a atribuir a essas bebidas propriedades “digestivas” ou curativas.

O fato é que o amaro (amargo, em italiano) é uma categoria de bebidas que usa ervas, cascas e raízes – às vezes dezenas delas em receitas mantidas a sete chaves – maceradas em álcool e normalmente associada aos digestivos.

Pois elas estão chegando com tudo ao Brasil e aos nossos coquetéis. Eles geralmente se dividem em bitters e vermutes, dependendo do álcool utilizado para a produção – de cereais ou vinho. Somente a Itália produz cerca de 50 marcas, mas o francês Picon ou o alemão Jägermeister provam que, ao redor do mundo, as bebidas herbáceas e amargas também têm seu lugar.

Por aqui, essas bebidas geralmente são produzidas artesanalmente e, se já têm lugar garantido nos botecos, não é diferente na coquetelaria mais sofisticada, onde um bom amaro é um ingrediente pra lá de versátil na composição de um drinque.

O amargo “deles”

Os argentinos são muito ligados em um amaro em especial, a Fernet Branca – também bastante herbácea, mas com notas mais mentoladas. Por lá, a Fernet é tomada com Coca-Cola e a mistura se tornou bastante popular – tanto que virou nome até de uma música da banda Vilma Parra e Vampiros: Fernet con Coca. A Argentina tem a única fábrica da Fernet Branca fora de Milão, tamanho o consumo dos hermanos.

Direto da Sicília

Depois do Campari, Aperol, Underberg, Angostura, Carpano, Cynar, Fernet e outros – sim, todos amaros! –, chegou ao Brasil no mês passado o Averna, produzido na Itália desde 1868. Tem um paladar herbáceo, mas licoroso e caramelado e pode ser tomado puro, com gelo, algumas folhas de ervas, como alecrim e sálvia, ou usado na preparação de coquetéis.

* Textos publicados na coluna A Coqueteleira, da edição 222 (Outubro/ 2017)