Coluna

Alimentação na metrópole

Por Cristiana Couto

Sabores Urbanos engorda um filão importante, porém ainda pouco explorado, de trabalhos acadêmicos que desvendam o rico tema da alimentação. Nele, a historiadora da USP Joana Monteleone observa as mudanças sofridas pela São Paulo oitocentista, que se urbaniza, através da alimentação. De uma cidade quase colonial e de abastecimento precário no início do século 19, São Paulo vê surgir uma sociedade burguesa a partir da riqueza gerada pelo café e, com ela, a proliferação de restaurantes, cafés hotéis, fábricas, padarias e moinhos de trigo — este, um artigo raro até então. A riqueza de documentos e a precisão da análise dão peso à obra, mais uma peça importante para o entendimento da nossa cultura alimentar.

Sabores Urbanos — Alimentação, sociabilidade e consumo, São Paulo, 1828-1910 — Joana Monteleone — editora Alameda (260 págs.) — R$ 46

Gim em letras

Depois da febre dos livros sobre vinho e cachaça, começam a surgir obras em português sobre outras bebidas. Por isso, é oportuna a publicação de Os Segredos do Gim, escrita pelo especialista em goles variados José Osvaldo do Amarante. Mas aqui, de novo, merece um puxão de orelha: Amarante é amante e grande conhecedor de destilados e fermentados, mas sua profissão não é escrever. Algumas editoras parecem não ter percebido isso ainda. Decorre daí que o livro é recheado de informações interessantes — como se produz o gim, seus estilos e a maneira como degustá-lo estão entre elas —, mas seu formato é técnico, o que pode inibir o grande público. Se o visual do livro é descontraído, faltou aí um bom editor de texto. Fica a dica.

Os Segredos do Gim — José Osvaldo Albano do Amarante — Mescla Editorial (192 págs.) — R$ 89,90

A cozinha de Morena

Há poucas cozinhas de bufê como a da chef Morena Leite. Comer em um de seus restaurantes, o Santinho — agora em três institutos ligados à cultura —, é sempre uma experiência agradável. É por isso que seu novo livro Santinho, Comida para Compartilhar merecia um tratamento editorial mais caprichado. Despretensioso, reúne apenas as receitas servidas nas unidades da casa, simples e fáceis de fazer. Pena que as fotos dos pratos em nada refletem o sabor experienciado à mesa de Morena.

Santinho, Comida para Compartilhar — Morena Leite — Gaia (249 págs.) — R$ 169

Bela pelo Brasil

As 60 receitas da alegre apresentadora e cozinheira Bela Gil detalhadas em Bela Gil — Ingredientes do Brasil são, no mínimo, diferentes. Organizadas por ingredientes da nossa cozinha, aliam saúde (as receitas são veganas e sem glúten), leveza e praticidade, mas podem não agradar a todos. Fotos bonitas de pratos como bolo de aipim e coco, ragu de cogumelo com jambu e bolinho de feijoada abrem o apetite dos menos ortodoxos. O único compromisso não bem cumprido da obra é seu mote: privilegiar os produtores (orgânicos) que são colocados à nossa disposição. Nos textos escritos por Bela Gil, que saiu nas duas últimas temporadas de seu programa Bela Cozinha a bordo de um foodtruck pelo País atrás desses ingredientes, não há menção a essa experiência tão próxima com quem está por trás do produto. Estes, porém, são homenageados com fotos dos bastidores do programa, que abrem e fecham a obra.

Bela Cozinha — Ingredientes do Brasil — Bela Gil — Globo Estilo (200 págs.) — R$ 49,90

Doce Japão

Quem conhece a delicadeza, o detalhismo e a humildade da sábia cozinheira brasileira radicada no Japão Mari Hirata consegue percebê-la assim que folheia seu novo e mais importante rebento, Mari Hirata Sensei. Sensei é a palavra japonesa para “mestre”, e é o que a cozinheira — que já trabalhou em uma confeitaria que atendia a família imperial japonesa — foi para Haydée Belda, ex-aluna que também assina o texto. O livro reúne as receitas preferidas de Mari, que já acumula 30 anos de profissão (atualmente, dedica-se ao ensino) e que combina como poucos as técnicas francesas e japonesas ao conhecimento profundo do ingrediente. Um texto emocionado e perspicaz embala pratos nem sempre simples na execução, mas bem explicados e muito atraentes. Fotos de passo-a-passo ajudam os iniciantes, e glossário e relato de viagem ao Japão da equipe editorial com Mari completam a obra, obrigatória na biblioteca de qualquer apaixonado por comida.

Mari Hirata Sensei — Mari Hirata e Haydée Belda — Bei Comunicação (277 págs.) — R$ 90

Na xícara
Direto no copo

A Menu testou uma novidade no mercado: cafés coados (drip coffees) em porções individuais. São sachês de café moído envelopados num minifiltro com hastes flexíveis, que se encaixam nas bordas de copos ou xícaras. Daí, é só passar água fervente e o café está pronto. O barista e instrutor do Coffee Lab João Perez testou as marcas Santa Mônica e Jurerê. “O sistema é prático e rápido. Aconselho o uso de uma xícara alta, pois numa tradicional o café ficará em infusão. Também sugiro sacudir o minifiltro antes de abrir, para que o pó não escape”. Quanto à qualidade do café, o café 100% arábica Santa Mônica saiu-se melhor. “É uma qualidade que não alcança a classificação de café especial e o amargor vem da torra muito escura. Já o Jurerê, embora 100% arábica, é um café muito amargo e sem doçura ou corpo”, avalia ele. Vale destacar que ambos poderiam ser embalados a vácuo, para não perderem rapidamente suas características.

Jurerê Fast Coffee
R$ 23,39 (10 unidades)

Santa Mônica Drip Coffee
R$ 24,90 (10 unidades)