Coluna

Olhar americano sobre a França

por Cristiana Couto

Olhar americano sobre a França

Aos 84 anos, a historiadora Barbara Ketcham Wheaton é uma das maiores especialistas em livros de cozinha dos Estados Unidos. Há mais de 25 anos é a curadora da biblioteca Schlesinger, do Instituto de Estudos Avançados Radcliffe (Massachussets), que detém uma das maiores coleções de receituários do país. Esse trabalho possibilitou-lhe incrementar um ambicioso projeto, nos anos 1980: a base de dados The Cook’s Oracle, que estabelece relações entre receitas, ingredientes e técnicas culinárias em mais de 3.400 receituários de diferentes épocas. Mas Barcara se tornou conhecida em 1983, quando lançou a obra Savoring the Past: The French Kitchen and Table from 1300 to 1789. Abrangente não só no período mas também nas facetas de análise, o livro – referência em história da gastronomia francesa – discorre sobre ingredientes, receitas e técnicas, e a emergência de restaurantes e chefs nos séculos 17 e 18.

Savoring the Past — Barbara K. Wheaton — Touchstone Books (368 págs.) — R$ 82,98 

 

Comer é um ato político

Treinada em história da ciência, a britânica Rachel Laudan tornou-se historiadora da alimentação e especialista nas questões políticas que envolvem o comer. Além dos diversos artigos científicos envolvendo as relações entre ciência e comida no contexto europeu, fez estudos sobre as cozinhas do Havaí e do México, lugares onde viveu. Muitos de seus escritos ela registra no blog homônimo, mas vale degustar seus livros sobre cozinha, como o compêndio Cuisine and Empire, que levou mais de dez anos para preparar. Seu encaminhamento geral, ao percorrer mais de 3 mil anos de história, é o de que a sociedade se distinguiu, até o século 20, entre uma alta cozinha e uma cozinha humilde, sendo o trigo o divisor de águas – este para os ricos, cevada aos pobres. Por seus trabalhos, Rachel ganhou prêmios importantes como Jane Grigson/Julia Child Award for Distinguished Food Scholarship (1997) e Sophie Coe Prize in Food History (1998).

Cuisine and Empire — Rachel Laudan — University of California Press (488 págs.) — R$ 86,01

Leitura obrigatória

A vida pessoal agitada de M. F. K. Fischer – dois casamentos, residência em várias cidades, criação de filhos sem um marido -, não tirou o foco de sua maior habilidade: escrever. Nascida em 1908 no estado de Michigan (EUA) e filha de um jornalista, Mary Frances Kennedy Fischer foi equiparada a nomes como Julia Child e James Beard. Embora tenha escrito sobre outros assuntos que não a comida, entre seus livros mais famosos está Como Cozinhar um Lobo (1942), que trata da comida em tempos de escassez. Mas há muito mais para ler, como Um Alfabeto para Gourmets, e o leve Consider the Oyster (1941), com lendas e receitas do ingrediente. Fischer, que também traduziu o clássico Fisiologia do Gosto (1826), de Brillat-Savarin, morreu em 1992, e obras póstumas reunindo seus escritos pipocaram no mercado norte-americano.

Como Cozinhar um Lobo — M.F.K. Fischer — Companhia das Letras (248 págs.) — R$ 80