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Luiz Filipe Souza comenta os altos e baixos de sua participação no Bocuse d’Or

Luiz Filipe, Renato Carioni e Vinicius Pires durante a final da competição (Foto: Maria Vargas/Divulgação

Por Rogério Santos

“No Bocuse d’Or você literalmente dirige um Fórmula 1”. Foi assim que o chef Luiz Filipe Souza relatou em entrevista à Menu a experiência que teve na final da principal competição gastronômica do mundo, realizada entre 29 e 30 de janeiro, em Lyon (França).

“Ao participar, você acaba enxergando a cozinha de outra maneira. Lá é a ponta da tecnologia, da técnica, você vê muita coisa nova”, avalia o chef do restaurante paulistano Evvai, que chegou à decisão após triunfar nas etapas nacional e sul-americana da disputa.

Foram muitos treinos diários, de 6 a 8 horas, ao lado do sous chef do Evvai, Vinicius Pires, para Souza se preparar para a final e competir com outros participantes de 23 países. Infelizmente, o Brasil ficou no penúltimo lugar (Dinamarca foi a campeã, com Suécia e Noruega conquistando as medalhas de prata e bronze, respectivamente), mas Souza também vê o lado positivo do concurso: “Fiquei 2 dias chateado com o resultado. Acreditamos muito no que a gente apresentou e esperava realmente uma colocação melhor. Fomos com o objetivo de estar entre os 10 primeiros. Mas colocar o Brasil numa final desse porte já é um orgulho nacional.” Vale citar que países como Portugal, Alemanha e Espanha, com tradição na gastronomia mundial, não participaram. “Foi muito importante marcar presença lá”, frisou o chef.

Uma competição como o Bocuse d’Or, criado em 1987 pelo lendário chef francês Paul Bocuse, é de extrema importância para um profissional da cozinha. “Isso representa 30% dos seus 10 anos de carreira. Tenho certeza de que o concurso vai gerar muito fruto e que vou aproveitar essa bagagem acumulada no meu dia a dia”, declara.

E uma das principais consequências de sua participação é o legado que deixará para as futuras gerações de cozinheiros nacionais. “Que o próximo candidato tenha mais apoio, mais qualificação, mais tempo para se dedicar. É importante construir isso devagar, preparar o terreno de uma forma melhor e subindo aos poucos”, destaca.

Disposto a colaborar com a equipe brasileira na próxima competição, o chef do Evvai revela o sonho de que Vinicius Pires represente o País na disputa. Entretanto, ele é cauteloso ao mencionar se esse é um projeto para 2021, quando acontece o próximo Bocuse d’Or. “Depende dele. Ele é muito novo, tem 22 anos”. Mas Souza não esconde sua torcida para que o colega de trabalho triunfe na copa mundial da gastronomia.

Restaurante Evvai
rua Joaquim Antunes, 108, Pinheiros – São Paulo/SP
(11) 3062-1160
evvai.com.br
bocusedor.com