Coluna

Orgulho do nosso café

Bourbon amarelo do Cerrado Mineiro: variedade da Fazenda Bom Jardim que venceu o Cup of Excellence

Por Cristiana Couto

Os cafés brasileiros de qualidade estão, literalmente, batendo recordes. Foi o que aconteceu nas duas etapas do Cup of Excellence – Brazil 2017, um dos mais importantes concursos de qualidade do mundo para grãos especiais, que aconteceu entre novembro e dezembro no País. Na etapa em que disputaram os cafés Pulped Naturals – grãos processados sem a casca (descascados) ou a polpa (despolpados) –, a saca (60 kg) campeã foi arrematada por R$ 55.457,00 – o maior valor pago por um café na história mundial do concurso, criado em 1999 e que acontece, anualmente, em 10 países produtores. Para se ter uma ideia, o mercado brasileiro costuma pagar, em média, entre R$ 800 e R$ 1.000 por saca de café especial.

O vencedor é da variedade Bourbon Amarelo produzido na Fazenda Bom Jardim, em Patrocínio (MG), no Cerrado Mineiro, área com Denominação de Origem e geralmente reconhecida pelos cafés naturais (secos com a casca). Esse último tipo, por sua vez, também bateu recorde na sua categoria no País: a saca da ainda pouco cultivada variedade Catucaí-Açu, de cultivo biodinâmico, da Fazenda Camocim, em Domingos Martins (nas Montanhas do Espírito Santo), foi vendida por R$ 39.213,40.

Em ambas as etapas do Cup of Excellence, cafés de todo o Brasil são selecionados por um júri nacional, pontuados depois por especialistas internacionais e levados a leilão pela internet, onde são ofertados ao mundo. O Cup of Excellence é realizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) em parceria com a Apex-Brasil e com a Alliance for Coffee Excellence (ACE).

Estante
Desvende o bolo

É uma delícia folhear e ler o livro da engenheira de alimentos e confeiteira Joyce Galvão, que preparou as receitas da edição de aniversário da Menu, em novembro. A Química dos Bolos – Receitas e segredos para dias mais doces traz sim, química entre as 45 bem escolhidas receitas – mané pelado (um bolo de mandioca ralada com queijo), os clássicos floresta negra e toalha felpuda, baba de moça, bolo de coco. Mas tem também dicas preciosas, que livros preguiçosos nunca contemplam. Assim, em meio às detalhadas receitas (com medidas tanto em gramas quanto em xícaras, colheres etc.), aprende-se como calcular (com fórmulas) e adaptar receitas a tamanhos de fôrma distintas (além de entender porque a fôrma certa faz toda a diferença), o peso dos ovos, como montar um bolo com recheio, como hidratar gelatinas e como elaborar um bom merengue. E fazer, enfim, um doce de leite… de leite. Além da linguagem jovial, fácil e que transpira amor pelo ofício, o livro é ilustrado com fotos feitas pela própria confeiteira. Uma doce leitura, portanto.

A Química dos Bolos – Receitas e segredos para dias mais doces – Joyce Galvão – Companhia de Mesa R$ 124,90 (288 págs.)