Bebida

O que esperar da cerveja em 2019

estou bebendo Quatro Árvores Abbondanza: Italian Grape Ale que leva, como diz o nome desse estilo, mosto de uva – no caso, da variedade Moscato. O ingrediente e um perfil vínico são bem evidentes, aliados a notas condimentadas e frutadas. Custa R$ 73 a garrafa de 750 ml no Cateto Pinheiros

Por Roberto Fonseca

Prever o futuro sempre é divertido. Ao acertar, podemos nos vangloriar; errando, culpamos o imponderável rodriguiano. Por isso, não resisti à oportunidade de, durante a Copa Cerveja Brasil, em Brasília (DF), perguntar a cervejeiros quais seriam, na opinião deles, as tendências de mercado para 2019.

Para o presidente da Abracerva (associação que reúne microcervejarias nacionais), Carlo Lapolli, dois setores devem crescer: o de pequenos produtores, como brewpubs e nanocervejarias apostando em produtos de alta qualidade para um público mais específico, e as fábricas que conseguirem reduzir seus preços. “Temos visto algumas cervejarias brigando com Heineken e as cervejas da Ambev”, afirma. “Quem estiver no miolo, com um produto de qualidade mais ou menos e o preço um pouco mais alto, vai sofrer no nosso mercado. O produtor cigano (sem fábrica própria) tem de ter um produto diferenciado, não pode fazer Pilsen e Weiss.”

Estevão Chittó, da cigana gaúcha Suricato, diz que o “super nicho” (com cervejas de preços de produção e venda mais elevados) é o alvo de sua marca. “Mas, mesmo ciganos, pretendemos atuar em um mercado mais barato, não com uma lata de R$ 5, mas competindo com o ‘cara do meio’, que vende uma IPA com pouco lúpulo a R$ 16, R$ 18. Cerveja é volume; ninguém sobrevive vendendo só 500 litros por mês.” Leonardo Sewald, da fábrica gaúcha Seasons, aposta que a tendência continua sendo o consumo local. Para ele, isso ajuda no que define como “acessibilidade ao consumidor”, um conjunto de práticas comerciais e logísticas. “Fazer cerveja é o mais fácil. O difícil é fazer a cerveja maravilhosa chegar na ponta da cadeia a um preço honesto e com a qualidade que queremos.”

Thiago Galbeno, da Perro Libre (RS), também vê o brewpub como tendência, mas aposta em cervejas com ingredientes locais para “democratizar” o acesso às artesanais.  “Elas permitem se conectar mais com a própria cultura e sabores com os quais as pessoas estão mais familiarizadas. Há cervejarias bastante focadas em lúpulo, sabemos que é um ingrediente que não vai ficar mais barato, e com isso as cervejas chegam a preços mais altos.”

Da minha parte, também desejaria preços menores, regionalidade e diversidade de cervejas e de produtores, além de mais qualidade, para que não fiquemos focados apenas em um punhado de estilos.