Bebida

Vinhos europeus devem ficar mais baratos no Brasil

Acordo gera controvérsias (Foto: Reprodução/iStock)

por Rogério Santos

O acordo entre Mercosul e União Europeia firmado no fim de junho deve deixar os vinhos europeus mais baratos para om consumidor brasileiro.

O tratado projeta facilitar o comércio entre os dois blocos, prevendo isenção de impostos para 90% das exportações dos países que compõem o bloco sul-americano para a Europa durante 10 anos. Já o grupo europeu vai retirar tarifas sobre 91% dos procutos que exposta para o Mercosul por 15 anos. Entretanto, as novas regras só valem quando os dois blocos ratificarem o acordo.

Novas regras só valem após os dois blocos ratificarem o termo de aliança (Foto: Reprodução/iStock)

Produtos brasileiros como suco de laranja, frutas, arroz, açúcar, carnes, entre outros podem ser beneficiados. Já itens importados da Europa como chocolate, vinhos e outras bebidas alcoólicas devem ser beneficiados, ficando mais baratos para o consumidor.

O diretor da importadora Casa Flora, Adilson Carvalhal Júnior vê o acordo com bons olhos. “Recebemos de forma muito positiva. Entendemos que esse acordo deve levar o Mercosul, e especialmente o Brasil, a participar de forma mais ativa e aberta do mercado internacional”, disse.

Para ele, os produtores europeus conseguirão competir de forma mais igualitária contra os sul-americanos, isso de forma geral tende a deixar o preço de vinho mais competitivo para o consumidor. Entretanto, ele ressalta ainda não é possível projetar um crescimento da venda de vinhos europeus no Brasil, sobretudo por que o compromisso ainda não foi formalizado.

“Mesmo a partir de quando ele entrar em vigor fica difícil passar esses números, até porque hoje a maior carga tributária está na venda e não na importação. Mas esse acordo deve trazer um crescimento do mercado de vinhos europeus”, ressalta.

Júnior considera que nesta fase ainda não é possível projetar ações para a venda dos vinhos europeus em solo brasileiro, mas não esconde o otimismo. “Esse tipo de acordo ainda leva tempo para ser finalizado. A expectativa é de um a dois anos, então acho que ainda é cedo para avaliar o crescimento de mercado de vinhos, mas com certeza os vinhos europeus ganharão mais competitividade no mercado.”, considerou.

Acordo econômico pode ampliar a venda de vinho europeu no Brasil (Foto: Reprodução/iStock)

Reflexos para o vinho brasileiro – Se o pacto entre os blocos econômicos pode favorecer a oferta de vinho europeu no Brasil e baratear seu preço, em contrapartida, pode prejudicar a competitividade do produto nacional, avalia o presidente da Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho), Oscar Ló. “O livre comércio, mesmo que seja em 8 ou 12 anos, com a União Europeia, será sempre mais vantajoso para eles”, aponta Ló.

Segundo ele, a União Europeia responde por mais de 60% da produção mundial de vinhos e por mais de 60%, também, das exportações mundiais do produto. “É portanto o principal player no mercado. Tem história, tradição, qualidade e escala. E custos de produção e impostos bem menores que os nossos”, avalia.

Para Ló, o livre comércio sempre será mais vantajoso para o produtor europeu (Foto: Reprodução/iStock)

Segundo ele, a perspectiva em relação ao crescimento do mercado brasileiro é pequena, devido a fatores como a condição econômica em que o país se encontra, baixo poder aquisitivo, alta taxa de desemprego e pelo não conhecimento do vinho por grande parte do mercado. “Com isso, haverá disputa pela mesma fatia de mercado. Chile, Argentina e Brasil vão ceder posições para os vinhos baratos da União Europeia”, avalia.

O dirigente aponta ainda o regulamento da Comunidade Europeia nº 1308, com subsídios de € 1,1 bilhão por ano, recursos utilizados para financiar ações de promoção para exportações, subsidiar financiamentos de vinhedos e vinícolas, para seguro agrícola, redução de estoques e até colheita em verde, quando há supersafras, pagando ao produtor pela uva não industrializada.

“Se tivéssemos as mesmas condições, ou parte delas, estaríamos em outro patamar. Por isso, estamos propondo ao governo brasileiro a implementação de medidas compensatórios, para amenizar os prejuízos que teremos”, ressaltou o dirigente.