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Cervejarias da Flórida (EUA) aderem à moda da “hard seltzer”

A HRD WTR é uma das chamadas hard seltzers da Flórida (EUA) avaliada pelo colunista Roberto Fonseca (Foto: Roberto Fonseca)

Por Roberto Fonseca*

Primeiro, foram as gigantescas propagandas em caminhões de distribuição de bebidas. Depois, algumas latas que apareciam repetidamente em empórios e lojas de conveniência. Por fim, latas dentro da cervejaria 3 Daughters , em St.Petersburg. Mas o que diabos é essa tal hard seltzer?, pensei. “É uma das apostas de ‘febre’ neste verão”, respondeu um funcionário do taproom da marca. Em resumo, como descobri depois, hard seltzer é uma água com gás, aroma e sabor de frutas – e álcool.

Seu apelo está na ausência de glúten, nas calorias (variam geralmente de 90 a 100) e carboidratos em índices menores do que a cerveja – principalmente estilos mais parrudos – e no teor alcoólico na mesma faixa padrão (entre 4% e 5%). O álcool de seu conteúdo vem, em geral, da fermentação de açúcar de cana.

Mas, depois das ondas de root beer, limonada e soda alcoólicas, a hard seltzer seria algo mais duradouro? Muitas cervejarias norte-americanas parecem apostar que sim: além da 3 Daughters, marcas como a Boston Beer Company (produtora da Samuel Adams), Oskar Blues e Wachusett lançaram suas versões no mercado nos últimos meses. Até as gigantes AB-Inbev e Miller Coors têm suas marcas no segmento. Um dos principais rótulos nos EUA é a White Claw. No Brasil, há um produto nacional disponível, a Jovi.

Confesso que a premissa não me empolgou muito inicialmente, mas decidi provar as versões da 3 Daughters – de limão e de framboesa – e outra marca que encontrei no mercado, a HRD WTR, também de uma cervejaria local, a M.I.A., com uma versão que leva pepino e limão tahiti e siciliano. Nos três casos, a impressão foi similar: aromas e sabores de frutas e dulçor sutis a moderados, sem exageros ou nada que remeta a refrigerantes. O álcool acaba aparecendo mais do que em uma cerveja, já que não há muitos elementos que possam contrabalancear sua percepção. O final, em geral, é moderadamente seco. Em linhas gerais, todas as novidades me parecem interessantes, mas as hard seltzers não me empolgam tanto, justamente pelo caráter mais brando e menos complexo. Prefiro uma cerveja leve e bem-feita ou mesmo um kombucha bem equilibrado entre fruta e acidez. As calorias extras podem ser queimadas com alguns minutos a mais de corrida no parque.

*O jornalista viajou a convite de Visit Florida