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Por que o Brasil nunca ganhou um Mundial de Barista?

Por que o Brasil nunca ganhou um Mundial de Barista? (Foto: Reprodução/iStock)

por Cristiana Couto

Na xícara
Entre os dias 11 e 14 de abril, o Brasil participa, com a campeã nacional Martha Grill, do Campeonato Mundial de Barista (World Barista Championship), que neste ano acontece em Boston (EUA). O importante concurso é uma vitrine universal não só para o profissional do café, mas para os grãos de qualidade, cuja história no mundo é, ainda, recente (cerca de 50 anos). Porém, embora seja atualmente o maior consumidor de cafés do planeta (ultrapassando os americanos) e, desde 1854, o maior produtor mundial de grãos, o Brasil nunca consagrou um campeão na disputa. Pelo contrário: após uma época promissora – em torno de 2006, quando a tricampeã brasileira Silvia Magalhães alcançou o 6º lugar do ranking (o melhor desempenho do país até hoje) – a escada rumo ao pódio só teve um sentido, para baixo. Nos últimos 5 anos, por exemplo, flanamos da 31ª à 49ª posição (entre 55 candidatos, em média).

A questão que se coloca, portanto, é simples: por quê? E as respostas a seguir, um convite à reflexão dos brasileiros interessados neste que é, hoje, um mercado em franca evolução no mundo. Para Silvia, um dos caminhos para se tornar um campeão é conhecer profundamente o cenário e seus atores. “É preciso vivenciar esse mundo de perto, viajar para acompanhar os campeonatos, circular entre essas pessoas, conversar com os juízes”, explica ela. Além disso, disciplina, treinamento e maturidade são fundamentais. “O campeão mundial é um profissional que vai falar de café para o mundo: é preciso entender o que isso significa”, diz ela, que treinou por seis meses e contratou um campeão mundial para ajudá-la.

Para Helga Andrade, coordenadora de promoção internacional da BSCA, entidade que promove as competições nacionais e custeia a viagem do campeão brasileiro ao mundial, um fator decisivo são os equipamentos. “A maioria dos que são utilizados nas competições não são distribuídos no Brasil”, considera. “Treinar em equipamento oficial é imprescindível”, arremata ela, que conseguiu neste ano o apoio de um fabricante oficial de moinhos para outra modalidade de campeonato.

E o que pensa e deseja a atual campeã brasileira Martha Grill? Especialista em qualidade e treinamento da Octávio Café (SP), a jovem barista gaúcha (há três anos na profissão) aposta no bom desempenho técnico tido no certame brasileiro, na fluência em inglês, na dedicação aos estudos e no grão brasileiro escolhido (um bourbon amarelo do Cerrado Mineiro). “Quero entrar nas semifinais”, diz ela, que aguarda a chegada da máquina de espresso oficial (cedida pela cafeteria curitibana Café do Mercado) para ajudar nos treinos. Enquanto isso, Martha comemora outra conquista: um centro de treinamentos para campeonato montado pela cafeteria onde trabalha. “Consegui mostrar para a empresa a importância da competição”, alegra-se, enquanto aguarda o dia da disputa: “É preciso dominar as regras e jogar o jogo”, garante ela.

Estante – De olho nos orgânicos cariocas
O pequeno livro Olhar Saudável, lançado no final de 2018, leva o título de um projeto bacana da cidade do Rio de Janeiro: promover o consumo e a produção consciente de orgânicos, divulgar o trabalho desses produtores e, de quebra, a fotografia especializada em gastronomia. O cenário é o Circuito Carioca de Feiras Orgânicas, que existe há uma década e reúne atualmente 21 feiras espalhadas pela cidade, que vendem alimentos sem agrotóxicos e diretamente do produtor.

Uma das idealizadoras desse projeto desafiador, numa cidade tão abatida nos últimos tempos, é a chef e consultora Ciça Roxo. Uma pena que, pelos limites do projeto, tenha sido preciso escolher tão poucas feiras, e não contemplar todas. Estão na seleção as feiras da Olaria (na zona norte), da Glória (a primeira do Rio, com 26 anos de vida) e do Jardim Botânico (frequentada pelos cozinheiros). Depoimentos de alguns agricultores recheiam o livro, e as fotos em preto e branco coloridas dão um rosto a essas pessoas que trabalham com o alimento saudável, essa matéria-prima tão fundamental. Um pouco mais de texto informativo (e legendas) seria bem-vindo.

Com coerência, a renda da obra é destinada ao Instituto Maniva, que investe no fortalecimento da agricultura agroecológica e que, por sete anos, manteve uma barraca para atrair público para feiras deste tipo. O prefácio é da chef Teresa Corção, presidente do instituto.

Olha Saudável – O Rio Saudável e Sustentável no Circuito Carioca de Feiras Orgânicas – Carol Graciosa (org.) – Autografia – E-book, R$ 14,90 (amazon.com.br) e R$ 60 (o livro impresso)