Coluna

Carnaval de sabores: boa comida para comemorar

Porção de pastel é uma boa pedida durante o Carnaval no Rio de Janeiro (Foto: Reprodução/iStock)

por Paulo Machado

“O tico-tico tá, tá outra vez aqui. O tico-tico tá comendo meu fubá. O tico-tico tem, tem que se alimentar, que vá comer umas minhocas no pomar…” Com esse refrão divertido de Carmen Miranda – e um “siricutico” que corre a espinha quando vem chegando esta época do ano -, começo minha homenagem ao Carnaval. A festa, com direito a samba, saída com amigos e muita diversão, também pode ter boa comida, claro.

Sem dúvida, é minha comemoração favorita e que já dividi entre: Bonito (MS) comendo a traíra frita da casa do João, degustando ostras em Floripa (SC), me esbaldando com acarajé da madrugada nas ruas de Salvador e água de coco da ilha de Itaparica (BA). Já brinquei Carnaval em Olinda (PE), subindo as ladeiras para comer a macaxeira da Nóca e, na Cidade Maravilhosa, guardo na memória o samba-enredo do Brasil Bom de Boca, tema da escola União da Ilha, que homenageou nós, cozinheiros, e encantou a Sapucaí em 2018.

“Vem provar o sabor, desse meu Carnaval…” Éramos centenas de profissionais da área, distribuídos em alas que contavam a história da alimentação, ingredientes, restaurantes, bares e confeitaria. Depois da queima calórica dos foliões na avenida, fomos para um camarote regado a comidinhas finger food, bufê com pratos mais substanciosos e caipirinhas. Essa dinâmica se repete anualmente por vários camarotes espalhados pelo País.

No Rio de Janeiro, se você curtir o circuito praia e blocos, a obrigatoriedade é tirar um dia para ficar num botequim carioca, tomar um chope e comer pasteizinhos e empadinhas. Num dia de paz e contemplação, que tal a mureta carioca mais amada? É no Bar Urca, com direito a um imperdível pôr do sol. Deixo pra vocês uma receita toda cheia de inspiração carioca, mas com toque de caipira: empadinha de carne-seca com pimenta biquinho, que aprendi com uma cozinheira pantaneira de mão cheia, Beth Schmidt Freire. A empadinha, carro-chefe da cozinha portuguesa, chegou por essas bandas, se encantou e nunca mais deixou de ser a cara da comida carioca! Para fechar, um trecho do samba-enredo: “Vou deixar água na boca, provocar uma vontade louca!”